Partidos gastam mais meio milhão de euros com europeias

Feitas as contas aos orçamentos apresentados pelos 17 partidos e coligações que concorrem às europeias em 2019, as despesas deverão ascender aos 4,967 milhões de euros - uma média de 292 mil euros por força política.

Partidos prevêem gastar 4,7 milhões de euros com eleições
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Partidos prevêem gastar 4,7 milhões de euros com eleições Nuno Ferreira Santos

Este ano, os 17 partidos e coligações que se apresentam na corrida às europeias vão gastar mais 500 mil euros do que gastaram os 16 que concorreram em 2014, ano em que a troika saiu do país. Desta vez, só o PS tem um orçamento acima de um milhão de euros, quando há cinco anos também a CDU ultrapassava esse montante. Em média, cada partido gasta hoje 292 mil euros, mais 16 mil do que em 2014.

No total, os orçamentos já entregues à Entidade das Contas, que funciona junto do Tribunal Constitucional, atingem os 4,967 milhões de euros (em 2014 ultrapassavam os 4,4 milhões). Os três partidos/coligações mais gastadores são o PS (1,250 milhões), o PSD (890 mil euros) e a CDU (850 mil euros). No extremo oposto, o dos mais poupados, estão o Movimento Alternativa Socialista e o Partido Unido dos Reformados e Pensionistas (5000 euros), o Partido Nacional Renovador (1800) e o Partido Trabalhista Português (1000 euros).

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A grande surpresa neste acto eleitoral é a coligação Basta!, que junta o Chega, o Partido Popular Monárquico e o Partido Pró-Vida, e que se apresenta pela primeira vez a eleições com um orçamento idêntico ao do Bloco de Esquerda e superior aos do Aliança e até do CDS-PP. Ao todo, são 500 mil euros para aplicar em acções de campanha, cartazes, comícios e espectáculos, brindes e custos administrativos e operacionais. A maior fatia, no valor de 190 mil euros, é para comícios. A coligação prevê financiar-se através de angariações de fundos (400 mil euros) e de contribuições dos partidos (100 mil).

A Aliança, outra estreante neste acto eleitoral, fez um orçamento de 350 mil euros no qual assume que espera receber 350 mil euros de subvenção estatal, um valor próximo do que o Bloco de Esquerda colocou na mesma rubrica em 2014 (333 mil euros), altura em que elegeu uma eurodeputada: Marisa Matias. Este ano, os bloquistas aumentam as despesas e receitas em praticamente 200 mil euros.

PSD e CDS-PP apresentam-se, este ano, separados, o que aumenta substancialmente os gastos de ambos os partidos. Enquanto, em 2014, a coligação Aliança Portugal avançou para a Entidade das Contas com um orçamento de 855 mil euros, desta vez, o PSD sozinho espera gastar 890 mil e o CDS-PP 312 mil euros.

Nas eleições de 26 de Maio há quatro partidos e uma coligação que não foram a votos em 2014: o Nós, Cidadãos!, o Iniciativa Liberal, o PDR, a Aliança e a coligação Basta!. Por seu turno, há quatro partidos que há cinco anos foram a votos e que desta vez não se apresentam: o POUS, o PDA, o MPT e o PND. Destes, o único que conseguiu eleger eurodeputados foi o MPT. Em 2014, numa lista liderada pelo ex-bastonário da Ordem dos Advogados Marinho e Pinto, o MPT obteve dois mandatos. Um deles viria a ser assumido por Marinho e Pinto (que entretanto se tornou eurodeputado independente e fundou o PDR, pelo qual concorre agora) e o outro por José Inácio Faria (que desta vez integra, como independente, as listas do Nós, Cidadãos!).

O PAN e o PS reforçam o seu orçamento, subindo-o de 11.500 euros para mais de 78 mil euros, no primeiro caso, e de 1,140 para 1,250 milhões de euros. O Livre e o PCTP/MRPP prevêem menos despesas do que em 2014, passando de 20 mil euros para 11.650 e de 60 mil para 20 mil, respectivamente.