Nós, Cidadãos! avança sozinho para as europeias com Paulo Morais à frente

Já não há coligação com MPT. Mas o eurodeputado José Inácio Faria mantém-se nas listas.

Paulo de Morais
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Paulo Morais é o cabeça-de-lista do Nós, Cidadãos! às europeias Paulo Pimenta

O partido Nós, Cidadãos! vai avançar sozinho para as eleições europeias, ou seja, sem ser através da coligação Frente Cívica, que incluía o Movimento Partido da Terra (MPT)​, como chegou a ser anunciado. O cabeça de lista continuará a ser Paulo Morais

A notícia foi confirmada ao PÚBLICO pelo presidente do Nós, Cidadãos!, Mendo Henriques: “A coligação, por motivos formais, foi recusada pelo Tribunal Constitucional. Houve recurso, sim, mas foi indeferido. Uma vez que, quer o MPT, quer o Nós, Cidadãos! nasceram de movimentos da cidadania, bem como a Frente Cívica, da qual Paulo Morais é presidente, estas três forças entenderam que deviam prosseguir a sua movimentação e concordaram que o veículo correcto seria apresentarem uma candidatura pelo Nós, Cidadãos!. Também perante o aproximar dos prazos, consideramos que este era o veículo mais correcto.”

Mendo Henriques confirmou ainda que o eurodeputado José Inácio Faria, do MPT (partido do qual reivindica a liderança), faz parte das listas como independente. O próprio eurodeputado explicou ao PÚBLICO que as listas se mantêm iguais às da coligação, mas sem referências ao MPT. Isto significa que quem era do MTP concorre agora como independente: “Se o Tribunal Constitucional nos impede de concorrer pelo MPT, temos legitimidade para concorrer como independentes. Mantivemos a estrutura inicial da coligação, só que no boletim de voto não aparece o MPT”, justificou José Inácio Faria que está no centro de uma crise de liderança no partido, motivo que levou ao chumbo do Palácio Ratton – tanto José Inácio Faria e Luís Vicente reclamam a liderança

Ainda nesta semana, como noticiou a agência Lusa, o eurodeputado José Inácio Faria criticou o que considerou ser uma “tentativa de golpe palaciano” da direcção do MPT – Movimento Partido da Terra, que pediu a abertura de um processo disciplinar, alegando “uma actuação conspirativa”.

A comissão política nacional do MPT pediu a abertura de um processo disciplinar contra José Inácio Faria “em face da gravidade da actuação conspirativa” e “violação clara dos estatutos”, como a apropriação da base de dados do partido para a divulgação de um comunicado “denegrindo a direcção nacional” e o facto de ter “abusivamente” assinado textos como presidente.

Já para o gabinete do eurodeputado, Inácio Faria permanece “legítimo presidente do Partido da Terra – MPT conforme reconhecimento do Tribunal Constitucional”.

Quanto a Paulo Morais, já foi candidato a Presidente da República, em 2016, e é sobretudo conhecido pela sua luta contra a corrupção, sendo presidente da associação Frente Cívica e tendo já liderado também a Transparência e Integridade.

No comunicado enviado à imprensa, o Nós, Cidadãos! adianta que entregará a lista às europeias nesta segunda-feira, às 15h00, no Tribunal Constitucional. “Encabeçada por Paulo Morais - docente universitário, candidato presidencial em 2016, presidente da Associação Frente Cívica, fundador da Transparência e Integridade - Associação Cívica, e personalidade pública com créditos firmados na denúncia e no combate cívico contra a corrupção na vida política – a lista de 21 candidatos, composta por mulheres e homens de diferentes quadrantes políticos de todo o país, assim como por independentes, vem potenciar a participação da sociedade civil, aproximar a política da cidadania e consolidar as bases democráticas da União Europeia”, lê-se. 

A mesma nota inclui uma declaração de Paulo Morais, na qual o candidato refere que se trata de um “projecto político” que pretende “voltar a colocar o cidadão no centro da agenda política nacional e europeia”. O cabeça de lista escreve ainda que “a democracia não é apenas uma forma de governo ou um regime político": “É um direito do cidadão e não é de exercício exclusivo dos partidos políticos. Não há democracia sem a participação de cada cidadão no debate, deliberações e tomadas de decisão relativamente aos destinos do país e da União Europeia”. Para Paulo Morais, “só assim” se combate “a abstenção e o desinteresse crónico pela política europeia”.