Opinião

FMI de novo às voltas com a dívida da Argentina

Qualquer que seja o resultado das eleições, o futuro Governo argentino enfrentará enormes dificuldades em refinanciar a dívida denominada em moeda estrangeira.

Apesar da sua imagem tecnocrática o Fundo Monetário Internacional (FMI), criado na sequência dos acordos de Bretton Woods de 1944, acordos que este ano celebram o seu 75.º aniversário, foi de raiz uma instituição eminentemente política. O seu objectivo principal era claro. A potência credora da época (os EUA) desejava ter uma palavra determinante na forma como seriam resolvidos desequilíbrios da balança de pagamentos de países com défices externos recorrentes, definindo as políticas económicas e orçamentais a adoptar por esses países. Ou seja, o credor desejava mandar no devedor de forma a proteger os seus créditos, mas não desejava interromper o fluxo de crédito de forma radical, nomeadamente porque as suas indústrias exportadoras precisariam de continuar a exportar para os países deficitários e porque era importante proteger bancos e investidores do sector privado dos EUA de perdas.