Retardar o envelhecimento? Sim, é possível, segundo alguns médicos

Como associar a estética à saúde para não envelhecer e ter uma vida mais saudável? Mudando hábitos de vida, asseguram especialistas.

Papel de parede
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Unsplash/ William Farlow

Porque é que envelhecemos? Será que o elixir da juventude está aí ao virar da esquina para retardar o envelhecimento? Alguns dos médicos que participaram no 1.º Congresso Nacional de Estética, Beleza e Saúde, na Exponor, em Matosinhos, acreditam que sim. O segredo pode estar no casamento da estética com a saúde, mudando hábitos de vida, como evitar o stress e a alterar a alimentação. 

Fazendo jus à velha máxima “a esperança é a última a morrer”, a ciência tem mostrado que consegue acompanhar a necessidade de adiar o envelhecimento. Há poucos meses, uma equipa coordenada por Elsa Logarinho​ descobriu que o envelhecimento das células da pele está relacionado com a actividade do gene FOXM1, que é como se fosse o “gene da juventude” porque contribui para o rejuvenescimento das células. A descoberta resulta da investigação da pele e modelação genética, que ainda está em curso e a ser levada a cabo pela sua equipa do Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC) e do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S), no Porto.

E pode ir ainda mais longe, porque Elsa Logarinho gostava de desenvolver um composto para retardar o envelhecimento, de modo a contribuir para a prevenção de doenças como diabetes e cataratas, não se reduzindo por isso apenas a uma questão de estética.

A investigadora acredita que o envelhecimento tem factores moleculares associados mas, na realidade, “é plástico, reversível, pode-se modelá-lo”. A investigação nesta área é muito recente. “É um facto que todos envelhecemos. Agora podemos fazê-lo da melhor forma e tentar retardá-lo”, defende. Muito importante, lembra, “o segredo para a longevidade também é ser feliz”, explicando que a população tem tido um envelhecimento exponencial e temos uma quebra da natalidade em todo o mundo. O grupo que lidera já ganhou o Prémio Pfizer em Investigação Básica, em 2011, com um estudo sobre o mecanismo de divisão descontrolada das células.

À procura do equilíbrio 

Mas, afinal, porque envelhecemos, sobretudo a partir dos 35 anos? “O nosso corpo desenvolve-se até à altura reprodutiva e depois entra num processo de degeneração natural. E é preciso encontrar um equilíbrio do organismo em prol de uma vida saudável”, resume Rodrigo Ayoub, especialista em medicina de antienvelhecimento e ortomolecular, ou seja, “equilíbrio do ser humano como máquina de autocura”, explica. Depois, continua, há que “modelar o stress, porque, ao senti-lo, libertamos a hormona cortisol que ainda acelera mais o envelhecimento”, elucida, enquanto aponta a mudança de hábitos de vida como regra de ouro para retardar o envelhecimento.

Também Simone Ayres, da área da medicina estética, entende que deve haver modelação do stress para se alcançar a longevidade. E enumera ainda a alimentação correcta, o exercício físico, o sono de qualidade, e a modelação hormonal e dos micronutrientes onde entram as vitaminas e os minerais, como essenciais.

Rodrigo Ayoub acrescenta ainda o equilíbrio do corpo através do jejum, da meditação e da diminuição de ingestão de alimentos processados como formas de “estimular o corpo para não entrar num processo de degeneração natural”.

A bioquímica Elsa Logarinho concorda que o jejum é outra estratégia, mas salvaguarda que este deve ser feito de uma maneira informada. Para Simone Ayres, coordenadora do congresso que terminou na segunda-feira, é muito importante associar a estética à saúde: “Não podemos ser só bonitos por fora, mas também por dentro.”

A certa altura da vida, acrescenta Simone Ayres, “as pessoas envelhecem e vão ficando com menos força muscular, a mente e raciocínio não são tão bons, o sono começa a ficar muitas vezes alterado”. Para a médica, normalmente essas mudanças acontecem porque além dos factores externos que interferem na saúde, “o nosso corpo passa a produzir menos hormonas, a absorver de maneira errada os minerais e as vitaminas”.

Segredos para uma vida saudável 

Simone Ayres defende que um dos segredos para ter uma vida saudável passa pela auto-estima. É preciso “as pessoas terem amor próprio, serem o seu melhor amigo”, pois só assim é que conseguem ter uma uma alimentação mais saudável, fazer exercício no exterior ou no ginásio, preocupar-se com os produtos que usam na pele.

“O objectivo principal é querer ser saudável e cuidar de nós próprios”, defende, acrescentando que é essencial diminuir o consumo de proteínas animais, lácteos e glúten, e procurar comidas coloridas pela natureza, de preferência orgânicas.

Para quem quer emagrecer, o melhor é “restringir um pouco no início o excessivo consumo de frutas, porque algumas têm um potencial maior para manter um peso mais elevado por causa da frutose”, aconselha. A médica sugere ingerir grãos, legumes, verduras e depois procurar na natureza as proteínas vegetais que, por exemplo, se encontra nos cogumelos. “Assim se reduz o consumo de proteína animal e, consequentemente, diminui-se o risco de uma série de doenças como as cardiovasculares, cancros e demência que sabemos que pessoas que consumem uma maior proteína animal têm maior risco de as ter”, adverte.

Para quem pensa que é um risco deixar de comer carne e peixe, a médica defende que “o ser humano pode sobreviver e inclusive mais saudável tendo uma alimentação vegetariana”. “É muito comum as pessoas pensarem que as proteínas só estão no frango, na carne de vaca e no peixe, quando, na realidade, as hortaliças, frutas e legumes têm uma quantidade grande e suficiente.” Muitas vezes, continua, “há veganos que estão tão preocupados em consumir proteínas que até as chegam a ter em excesso e temos que pedir para as reduzirem”. 

Então, para se ter uma alimentação equilibrada o que fazer? “Ingerir bastante água, reduzir a quantidade de proteína animal, procurar as gorduras boas, por exemplo, dos frutos secos, do abacate”, conclui.