Director de produto do Facebook e chefe do WhatsApp deixam empresa

As saídas chegam com mudanças estruturais na empresa, que quer aumentar o foco dado à privacidade e juntar os serviços do WhatsApp, Messenger e mensagens do Instagram.

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As saídas fazem parte de uma reorganização na visão do Facebook Stephen Lam
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Chrix Cox trabalhou no Facebook durante 13 anos Reuters/Stephen Lam

O director de produto do Facebook — um dos grandes responsáveis pela criação do feed de notícias (a linha cronológica de actualizações que o utilizador vê ao entrar na rede) — vai deixar a empresa. A informação foi anunciada pelo próprio Chris Cox numa publicação naquela rede social. Chega dias depois de Mark Zuckerberg ter anunciado que quer aumentar o foco dado à privacidade na sua rede.

“Como o Mark detalhou recentemente, estamos a virar uma página na direcção do nosso produto”, justificou Cox, que faz parte da equipa do Facebook há 13 anos. Desde 2018 que é responsável por gerir toda a “família de aplicações” do Facebook, que inclui o Instagram, o ​WhatsApp, e o Messenger. Era visto como um possível sucessor de Mark Zuckerberg, com o fundador da empresa a frisar que "vai ter saudades" de trabalhar com Cox em resposta à notícia de saída.

Também o vice-presidente do WhatsApp, o serviço de mensagens que o Facebook comprou 2014, vai sair. Há oito anos que Chris Daniels trabalhava com Mark Zuckerberg, tendo deixado o trabalho na Internet.org, um projecto do Facebook para levar Internet a países em vias de desenvolvimento, para assumir o cargo de liderança no WhatsApp.

As saídas de Cox e Daniels fazem parte de mudanças estruturais na empresa que, além de aumentar a privacidade, quer unificar os seus serviços de mensagens (WhatsApp, Messenger, e o sistema de mensagens do Instagram).

A notícia chega menos de meio ano depois de a dupla por detrás do Instagram — Kevin Systrom e Mike Krieger — também anunciarem a sua saída, e um ano depois de os fundadores da aplicação de mensagens WhatsApp decidirem abandonar a rede social por conflitos relacionados com a anterior visão de Zuckerberg sobre a privacidade.

Para Cox, as mudanças no Facebook representam uma “visão sintonizada com assuntos relevantes hoje” e vão transformar a rede social “numa plataforma de comunicação moderna que equilibra a liberdade de expressão, segurança e privacidade”. E acrescentou: “Será um grande projecto e precisamos de líderes entusiasmados para a fazer acontecer.”

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Chris Cox trabalhou 13 anos no Facebook

Will Cathcart, o actual vice-presidente de produto do Facebook, vai passar a liderar o WhatsApp. Cox ainda não tem um sucessor designado. 

Em comunicado, Mark Zuckerberg disse estar “profundamente agradecido” pelo trabalho de Cox e Daniels ao longo dos anos. De acordo com Zuckerberg, desde 2016 que Cox tinha vontade de embarcar noutros projectos, mas terá decidido ficar na rede social para “ajudar a resolver alguns problemas e definir o rumo da família de aplicações”.

As eleições de 2016 nos Estados Unidos foram as primeiras com provas de agentes estrangeiros a tentarem manipular a Internet através de redes sociais como o Facebook. Desde então, a rede social tem sido afectada por vários escândalos. Em 2017, a empresa admitiu que 126 milhões de utilizadores tinham sido expostos a interferências com origem da Rússia. Em 2018, as Nações Unidas revelaram que o Facebook tinha contribuído para a proliferação do discurso de ódio na Birmânia, e descobriu-se que a consultora britânica Cambridge Analytica, que trabalhou com a campanha presidencial de Trump, tinha recolhido indevidamente dados de até 87 milhões de pessoas com conta no Facebook.