Que mantimentos estão nos camiões, e como podem entrar na Venezuela?

Há 200 toneladas de alimentos e medicamentos na fronteira entre a Colômbia e a Venezuela, enviados pelos EUA há semanas.

Camião com alimentos e medicamentos no lado da Colômbia
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Camião com alimentos e medicamentos no lado da Colômbia Reuters/Carlos Eduardo Ramirez
Paletes com alimentos e medicamentos enviados pelos EUA
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Paletes com alimentos e medicamentos enviados pelos EUA Reuters/LUISA GONZALEZ
Ponte Internacional Tienditas
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Ponte Internacional Tienditas LUSA/RAFAEL HERNANDEZ

Dois enormes contentores e um atrelado de um camião de combustíveis, com blocos de cimento e grades de ferro à frente, cortam a meio a Ponte Internacional Tienditas, na fronteira entre a Venezuela e a Colômbia. Foram lá postos pelo governo do Presidente Nicolás Maduro com um único objectivo: impedir a passagem, para o lado venezuelano, das 200 toneladas de alimentos e medicamentos enviados pelos Estados Unidos.

A fronteira entre os dois países tem muitos pontos por onde se pode entrar com alguns sacos ou caixas, através do rio Táchira, mas só a ponte Tienditas serve para o plano mais ambicioso dos opositores de Nicolás Maduro. É por ali que podem passar vários camiões com mantimentos para serem entregues a milhares de venezuelanos com fome e sem acesso a medicamentos por causa da crise económica e política no país.

Os pormenores do plano não foram divulgados, mas Juan Guaidó, reconhecido por mais de 50 países como Presidente interino da Venezuela, disse que espera até um milhão de voluntários perto da fronteira – a maioria no estado de Táchira, de frente para a cidade colombiana de Cúcuta, e outros no estado de Bolívar, na fronteira com o Brasil.

Mas a única certeza sobre o que vai acontecer este sábado é que tudo pode acontecer – e o menos provável é que o Presidente Nicolás Maduro mande retirar os contentores e o atrelado da ponte Tienditas, para que os camiões com alimentos e medicamentos pagos por Washington entrem na Venezuela sem quaisquer problemas.

Para Maduro, não se trata de ajuda humanitária. Segundo a sua versão, no país não há qualquer crise humanitária e os alimentos e medicamentos enviados pelos Estados Unidos fazem parte de uma manobra de propaganda para o afastar do poder. E o Presidente venezuelano anunciou, na quarta-feira, que a Rússia enviou 300 toneladas de alimentos e medicamentos para o país, através do aeroporto internacional de Caracas.

Kits de emergência

Ninguém sabe como vai correr a operação dos opositores, mas a lista de mantimentos enviados pelos Estados Unidos é conhecida desde 8 de Fevereiro, e está disponível no site da Agência Americana de Desenvolvimento Internacional.

kits de comida comprados na Colômbia, e que incluem óleo vegetal, farinha, lentilhas e arroz em quantidades suficientes para alimentar mais de cinco mil venezuelanos durante dez dias. Os produtos de higiene, como sabonetes e escovas de dentes, também foram comprados na Colômbia e servem para 7500 venezuelanos durante dez dias.

De uma fábrica no estado norte-americano de Rhode Island foram enviados suplementos ricos em proteínas que 6700 crianças "com desnutrição moderada" podem consumir durante dois meses. E de "um produtor na Indonésia" chegaram barras energéticas para "prevenirem a desnutrição aguda" de dez mil crianças em idade escolar durante um mês.

Para fechar o pacote de alimentos e medicamentos, os Estados Unidos enviaram kits de emergência médica que podem ser usados por dez mil pessoas durante três meses.

No mesmo comunicado, a agência norte-americana disse que há mais alimentos e medicamentos guardados em armazéns nos estados de Miami e do Texas, "prontos para serem enviados imediatamente".