Governo garante que Odivelas mantém acesso directo de metro ao centro de Lisboa

Secretário de Estado Adjunto e da Mobilidade sublinha que os passageiros que viajarem para estações como o Marquês de Pombal poderão continuar viagem na linha Amarela, sem transbordo, atendendo assim às reivindicações do autarca de Odivelas. Esta sexta-feira, há uma reunião entre a câmara de Odivelas e o Ministério do Ambiente.

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Linha circular, com as duas novas estações, deve estar pronta em 2023 ou no início de 2024 Enric Vives-Rubio

O Governo garante que os passageiros da linha Amarela do Metropolitano de Lisboa​ não terão de fazer transbordo no Campo Grande para chegar ao centro de Lisboa, tal como estava previsto no plano de expansão do metro.

Num artigo de opinião, publicado esta quinta-feira no PÚBLICO, o secretário de Estado Adjunto e da Mobilidade, José Mendes, sublinha que “os comboios oriundos de Odivelas poderão entrar na nova linha circular e transportar os passageiros até ao centro da cidade, sem transbordos”. 

Quando o projecto de expansão da rede do metro foi apresentado - com a ligação do Rato ao Cais do Sodré através de duas novas estações na Estrela e em Santos, e a criação de uma linha circular -, estava também previsto que a linha Amarela fosse reduzida, limitada ao troço Odivelas-Telheiras.

Esta mudança significaria que as estações desta linha, a sul do Campo Grande, integrariam a linha circular — uma opção que foi prontamente criticada por utentes que não queriam perder a ligação directa ao centro da cidade, mas também por trabalhadores do Metro e especialistas que acreditavam que a descontinuidade criada na linha Amarela poderia representar um transtorno, e, com isso, com um aumento do recurso ao transporte individual.

Também o presidente de Odivelas, Hugo Martins (PS), criticou o encurtamento planeado, considerando, numa audição no Parlamento em Março de 2018, que tal poderia retirar o interesse da linha Amarela.

No Estudo de Impacte Ambiental (EIA) entregue pelo Metropolitano de Lisboa, datado de Junho do ano passado, especificava-se a “necessidade de se efectuarem transbordos suplementares para passageiros que actualmente não necessitavam”, mencionando aqui os passageiros que no concelho de Odivelas e na parte alta de Lisboa terão que mudar de linha no Campo Grande para chegar a estações como o Rato, o Marquês de Pombal ou o Saldanha.

O EIA salvaguardava, no entanto, que apesar de o novo projecto incluir a construção de dois novos viadutos no Campo Grande, “os viadutos existentes não serão desactivados”, assim como a linha férrea, permitindo a circulação das linhas Verde e Amarela, tal como hoje acontece. 

Desta forma, “os comboios com origem em Odivelas poderão continuar com a ligação directa ao eixo central de Lisboa, assim como os que vêem de Telheiras poderão continuar com a ligação directa à Av. Almirante Reis, caso se venha a justificar essa alteração”. O que se verifica agora é que essa decisão já foi tomada, com a manutenção dessa ligação, presumivelmente com menos intensidade face ao que sucede actualmente.

Logo em Julho, Hugo Martins dava conta que o município tinha recebido garantias do Governo de que “nas horas de ponta, de manhã e no final do dia”, a ligação directa da linha Amarela ao centro da cidade iria continuar, mesmo com a linha circular em funcionamento. “Irá produzir-se nessa fase os ajustes necessários de acordo com a capacidade de operação e os hábitos dos utentes do metro”, explicou então o autarca. 

O artigo de opinião de José Mendes surge agora como o compromisso público de que se manterá uma ligação directa entre, por exemplo, Odivelas e o Marquês de Pombal.

"Com a configuração futura, aqueles que têm por destino as estações do lado ocidental do anel poderão continuar viagem no comboio da linha Amarela, sem transbordo, enquanto os que se dirigem para as estações do lado oriental do anel farão o transbordo no Campo Grande, tal como hoje já o fazem”, escreveu o governante. Por esclarecer ficam ainda os detalhes de como se fará a circulação.

O PÚBLICO pediu mais esclarecimentos ao Ministério do Ambiente e da Transição Energética — que tutela o Metro de Lisboa —, que remeteu para o artigo de opinião do secretário de Estado. Contactado pelo PÚBLICO, o Metro de Lisboa não respondeu em tempo útil. 

Já o presidente da câmara de Odivelas afirmou ao PÚBLICO que decorrerá esta sexta-feira uma reunião de trabalho entre a autarquia e o Ministério do Ambiente, remetendo mais esclarecimentos para depois do encontro.