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Vasco Pulido Valente diz que Santana Lopes que "presidiu ao mais desastroso governo constitucional pretende agora levar uma facção de anónimos a uma nova derrota".

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MIGUEL MANSO

9 de Fevereiro

A superioridade intelectual de Marcelo sobre os três sábios da Quadratura do Círculo - hoje com outro nome - foi impressionante e também foi impressionante a reverência e o medo com que os três sábios o trataram. Nestas coisas, Marcelo é perigosíssimo.

10 de Fevereiro

O Presidente, o governo e comentadores selectos estão muito preocupados com o crowdfunding e com a greve heterodoxa dos enfermeiros. Não me interessam os argumentos de oportunidade; são a cozinha do costume. Mas, por trás deles, está o horror a que os sindicatos se tornem independentes dos partidos. A CGTP e a UGT são parceiros conhecidos, com quem se pode negociar; negociar directamente com grevistas é muito diferente.

Este conservadorismo apoia-se numa lenda histórica. As centrais sindicais nasceram, de 1920 a 1930, com a divisão do movimento socialista entre a II e a III Internacional, no fundo, entre social-democratas e comunistas. Antes, as divisões eram outras e a tendência para a unidade muito mais forte. De resto, o crowdfunding também era frequente. Na maior greve portuguesa da era moderna, a greve dos têxteis do Porto, em 1903, abriram-se subscrições por todo o país e até foi elegante contribuir. Mesmo João Franco, se bem me lembro, deu a sua esmola.

11 de Fevereiro

O “menino guerreiro” envelhecido, Pedro Santana Lopes, discursou em Évora. Este homem, que nunca conseguiu ser eleito chefe do PSD, que chegou fortuitamente a primeiro-ministro e que presidiu ao mais desastroso governo constitucional, pretende agora levar uma facção de anónimos a uma nova derrota.

12 de Fevereiro

A guerra de António Costa com os enfermeiros, com os professores, com os polícias, com todo o funcionalismo, põe a questão fundamental da política portuguesa: temos dinheiro para pagar o Estado que temos? ou, mais exactamente, temos dinheiro para pagar o Estado de que precisamos? ou, indo mais longe, temos dinheiro para pagar o Estado que, por comparação com a Europa, achamos que devíamos ter?

A resposta a estas três perguntas é não.

13 de Fevereiro

Vinte e seis militantes do Bloco saíram com estrondo do partido por dissidência política com a direcção. Acusam Catarina Martins e os seus pares de se terem “institucionalizado”, ou seja, aburguesado. É o conflito clássico dos partidos radicais desde o fundo dos tempos. Por um lado, querem igualdade. E, por outro, promoção social.

O mentor do Bloco, Francisco Louçã, é um bom exemplo disso: de revolucionário ardente e delegado aos congressos da Internacional trotskista chegou ao Conselho de Estado, ao conselho consultivo do Banco de Portugal, a professor catedrático do ISEG e a colunista do Expresso e comentador residente da SIC, os órgãos por excelência da ortodoxia do regime. Não percebo como os 26 “puros” militantes de hoje só agora deram pelo que se estava a passar.

14 de Fevereiro

O governo do sr. Pedro Sánchez era em si próprio uma provocação, era o governo da grande aliança da guerra civil: o PSOE e os separatismos. Acabou ontem, como a República, em Barcelona.

Mas, de caminho, levantou a direita do chão. Sem surpresa, a direita congregou-se à volta da primeira causa de Franco: a “Espanha una e indivisível”. A esmagadora maioria dos espanhóis não quer a dissolução da Espanha em pequenos reinos medievais. Mais, a passagem de súbdito da quinta potência europeia a um estatuto provinciano como o da putativa Catalunha é um absurdo.

A propósito, é extraordinária a complacência da esquerda, que grita por aí contra os populismos, com o mais típico e o mais perverso de todos eles: o republicanismo catalão, que pretende fechar um território sem fronteiras históricas, numa língua que ninguém fala.

15 de Fevereiro

Com licença do sr. Rui Santos, Papa dos comentadores desportivos, o problema do futebol português é um e só um: as bancadas vazias nos estádios de província.

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