Violência em Atenas para gritar "a Macedónia é grega"

Nacionalistas não se resignam com o acordo diplomático para resolver a questão do nome da ex-república jugoslava, mas o Governo de Alexis Tsipras deve conseguir fazer aprovar o texto no Parlamento.

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Polícias e manifestantes envolveram-se em verdadeiras batalhas YANNIS KOLESIDIS/EPA
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A polícia foi recebida àpaulada Alexandros Avramidis/REUTERS
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Os confrontos abundaram Alexandros Avramidis/REUTERS
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Padre ortodoxo levou um ícone da Virgem Maria para a manifestação Alexandros Avramidis/REUTERS

A polícia grega usou gás lacrimogéneo para dispersar os cerca de 60 mil manifestantes que se concentraram junto ao Parlamento, em Atenas, neste domingo, para protestar contra o acordo para resolver o conflito diplomático em torno de um novo nome para a Antiga República Jugoslava da Macedónia.

“Não podemos engolir este acordo, abdicar da nossa Macedónia, da nossa história”, afirmou a pensionista Amalia Savrami, de 67 anos, que levou uma enorme bandeira azul e branca grega para a Praça Syntagma.

O busílis da questão prende-se com a existência de uma província grega que se chama Macedónia. Muitos gregos acreditamque, se se permitir que um país independente, e vizinho, tiver Macedónia no nome, isso implica que poderá fazer exigências sobre território que é da Grécia.

A isto acresce todo um longo passado histórico, que vem desde Alexandre Magno, que era macedónio, mas de cultura grega, e de todas as apropriações e interpretações culturais que se foram fazendo ao longo dos séculos, que criaram um lastro patrimonial e emocional difícil de gerir. Sobretudo nos Balcãs, uma região da Europa com uma história conturbada de conflitos entre nações.

A disputa sobre o nome da Macedónia dura há 27 anos, desde que a Macedónia, uma nação de dois milhões de habitantes, declarou a independência da Jugoslávia, mantendo o nome que tinha na federação: República da Macedónia.

A recusa da Grécia em aceitar o nome tem travado as ambições macedónias de aceder à NATO e à União Europeia.

Mas os dois países chegaram recentemente a um acordo para que o novo nome seja República do Norte da Macedónia, em troca de a Grécia deixar de se opor à entrada do país na aliança atlântica e na UE.

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, deve conseguir fazer passar o acordo no Parlamento. Apesar de muitas cenas melodramáticas, que incluíram uma moção de censura na semana passada, à qual o Governo sobreviveu, e da oposição nas ruas, onde há quem peça um referendo sobre o assunto, parece ter votos suficientes para o fazer.