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Próximo presidente da Andaluzia proclama "mudança" no meio de protestos contra o Vox

Juan Manuel Moreno Bonilla discursou nesta terça-feira no parlamento autonómico da Andaluzia. Amanhá decorre a votação que o elegerá presidente da região, mas o dia ficou também marcado por protestos contra o Vox.

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Protestos à porta do parlamento autonómico andaluz Reuters/MARCELO DEL POZO

Juan Manuel Moreno Bonilla, candidato do Partido Popular (PP) para presidir à Junta da Andaluzia depois de o partido ter chegado a um acordo de maioria parlamentar com o Cidadãos e com o Vox (extrema-direita), apresentou-se no parlamento autonómico nesta terça-feira. Na quarta-feira é a votação que dará o poder ao PP nesta região, depois de décadas de domínio socialista.

O processo de investidura de Moreno Bonilla começou nesta terça-feira com um discurso deste e terminará amanhã, dia em que decorre a votação para elegê-lo presidente da Andaluzia.

Mas o dia ficou também marcado por protestos às portas do parlamento autonómico. Esta manifestação começou por ser marcada por organizações feministas contra as propostas do Vox, que quer revogar as leis contra a violência de género. Mas o Partido Socialista (PSOE) também se associou aos protestos.

De acordo com fontes policiais, citadas pela comunicação social espanhola, pelo menos duas mil pessoas reuniram-se à volta do parlamento enquanto decorria o discurso de Moreno Bonilla.  

Dentro do plenário, o próximo presidente da Andaluzia disse que a “mudança chegou à Andaluzia” e pediu “respeito institucional”. “O novo governo de mudança obriga ao diálogo sem cordões sanitários”.

Esta é uma aparente referência às críticas de que foi alvo o PP por ter chegado a acordo com o Vox para desalojar o PSOE do poder andaluz depois de 36 anos.

Nas eleições autonómicas, a socialista Susana Díaz ficou em primeiro, mas registou o pior resultado de sempre do PSOE na Andaluzia. Com o resultado surpreendente do Vox, que entrou no parlamento com 12 deputados, a direita, composta ainda pelo PP e Cidadãos, ficou com deputados suficientes para conquistar a maioria.

O próximo governo andaluz será então liderado pelo PP e será formado em coligação com o Cidadãos, que ficará com a vice-presidência. Mais difíceis foram as negociações com o Vox, que apresentou uma lista de exigências que os populares chegaram a classificar de “inaceitáveis”.

Entre as propostas do Vox estava a revogação das leis autonómicas contra a violência de género e de protecção da comunidade LGBT e a expulsão de 52 mil imigrantes ilegais. O partido propunha também eliminar os apoios ao “feminismo supremacista”.

Porém, depois de o partido de extrema-direita ter abdicado de algumas delas – isto apesar de ter garantido que vai continuar a lutar para que sejam implementadas – o acordo foi alcançado.

“Os andaluzes votaram pela mudança e, além disso, votaram pelo diálogo”, afirmou Bonilla no parlamento.

“A mudança que proponho é conciliadora. Não se pode esquecer que há uma parte da Andaluzia que não se enquadra neste espectro ideológico de centro-direita que protagonizará esta mudança”, disse. “Embora a mudança tenha de ser conciliadora também tem de ser real. Não se pode mudar para ficar tudo igual”, acrescentou.

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