“Ataque sónico” à embaixada dos EUA em Havana pode ter sido causado por grilos

Um novo estudo científico das universidades de Berkeley (Califórnia) e Lincoln (Reino Unido) mostra que os sons que provocaram lesões a diplomatas americanos podem ter sido emitidos por insectos.

Militares erguem a bandeira norte-americana na embaixada dos EUA em Havana, Agosto de 2015
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Militares erguem a bandeira norte-americana na embaixada dos EUA em Havana, Agosto de 2015 Reuters/STRINGER

Um “ataque sónico” que atingiu a embaixada dos Estados Unidos em Havana em Setembro de 2017 causou, segundo os EUA, problemas de saúde a pelo menos 16 diplomatas (entre os sintomas referidos estão tonturas, vertigens, danos cerebrais e perda parcial de audição). Um estudo científico diz que pode não ter havido ataque algum - podem ter sido grilos.

Acreditava-se que os sintomas tinham sido causados pela exposição a um sinal acústico fora da gama audível, o que levou os Estados Unidos a retirarem 60% do pessoal diplomático da embaixada em Cuba. O caso foi encarado como um “ataque sónico”, especulando-se que Cuba poderia ter usado uma "arma sónica secreta" para atacar os diplomatas americanos. No entanto, o Governo cubano rejeitou qualquer responsabilidade.

O caso foi agora resolvido. Um estudo científico, publicado na passada sexta-feira, analisou as gravações de áudio feitas pelos diplomatas (e divulgadas pela Associated Press) e revelou que o som corresponde ao canto dos grilos (da espécie Anurogryllus celerinictus), parte de um ritual de acasalamento, apresentando semelhanças no “ritmo de repetição da vibração, no espectro de intensidade, na estabilidade do ritmo e nas oscilações por batida”, explicam os cientistas.

A investigação realizada nas universidades de Berkeley (Califórnia, EUA) e Lincoln (Reino Unido) não descarta, no entanto, a hipótese de os diplomatas norte-americanos terem sido alvo de um ataque, indicando apenas que os sons gravados são emitidos por insectos, alertam os cientistas. Ainda assim, explica o investigador Alexander Stubbs ao New York Times “é possível que os diplomatas tenham ficado doentes por outra coisa relacionada com isto, e que não tenha sido um ataque sónico”.