Todos os partidos concordam com legislativas a 6 de Outubro

Na ronda de audiências com o Presidente da República, a direita mostrou-se preocupada com o aumento da conflitualidade social em ano de eleições.

O Presidente da República ouviu os líderes partidários sobre o ano eleitoral de 2019
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O Presidente da República ouviu os líderes partidários sobre o ano eleitoral de 2019 LUSA/TIAGO PETINGA

O dia 6 de Outubro é a data mais consensual para a realização das eleições legislativas do próximo ano entre os partidos com assento parlamentar. “Setembro é demasiado cedo por causa do mês de Agosto, o mês de Outubro é o mais adequado e quanto mais cedo melhor, até porque é preciso fazer um Orçamento do Estado”, defendeu esta quinta-feira Rui Rio, à saída de uma reunião com o Presidente da República.

Marcelo Rebelo de Sousa chamou os partidos para uma ronda de audiências que começou na quarta-feira com dois temas centrais em cima da mesa: a data das eleições do próximo ano e as perspectivas para o ano eleitoral - embora a questão dos professores tenha acabado por estar em todas as conversas. Quanto ao primeiro ponto, a data de 6 de Outubro foi também apontada como preferencial pelo PS e pelo PAN, enquanto os restantes partidos não manifestaram preferência, tendo apenas pedido que seja salvaguardado um tempo mínimo em relação às legislativas da Madeira, que deverão acontecer em 22 de Setembro.

Até lá, uma das preocupações centrais da direita é a conflitualidade social crescente devido ao aumento do número de greves e manifestações. “Penso que ainda me chegam os dedos das mãos para contar as greves que tem havido nos últimos 15 dias, mas já estou muito perto dos dedos das mãos não me chegarem", afirmou o líder do PSD, referindo-se a protestos como os dos enfermeiros, médicos, técnicos e auxiliares de diagnóstico, juízes, bombeiros, guardas prisionais e estivadores. Isso significa, na óptica de Rui Rio, um “aumento do descontentamento e ausência de paz social” que pode ser preocupante.

Também Assunção Cristas afirmou que o CDS está preocupado com “a degradação das condições de convivência na sociedade, sobretudo nas áreas de soberania”, destacando a insatisfação das forças de segurança, dos agentes de investigação criminal e guardas prisionais, que se juntam a “outros focos de grande crítica ao Governo”, referindo em particular professores e profissionais de saúde.

Outra das preocupações do presidente do PSD é a “baixíssima taxa de execução dos fundos comunitários”. “Portugal precisava de investimento, de crescimento económico, de capital (...). Estão neste momento mais de 1700 milhões de euros em Bruxelas. Se fizermos a comparação ao que era a execução do quadro comunitário anterior, é algo extraordinariamente grave para a economia portuguesa”, alertou, dizendo que "é suposto” que Portugal “utilize as verbas que tem".

Rui Rio afirmou que fora deste encontro com o chefe de Estado ficaram temas como a discussão de novos acordos de regime, nomeadamente o pacto para a Justiça proposto pelo PSD e que já levou a ministra do sector a receber os partidos para os ouvir sobre o assunto. Já Assunção Cristas lembrou que o CDS é o único partido que tem há meses um conjunto de propostas sobre estas matérias, e que está “à espera que os outros tragam a sua visão para poderem ser discutidas e votadas”, no local certo que é o Parlamento.

Por seu lado, o Bloco de Esquerda espera que seja possível fechar em 2019 uma nova Lei de Bases da Saúde, lembrando Catarina Martins que o BE tem em cima da mesa a proposta de António Arnaut e João Semedo: “Esperamos ter uma lei que salve o Serviço Nacional de Saúde”, afirmou.