Protesto de reclusos no Porto obriga a disparo de aviso

Presos recusaram-se a ir almoçar e de seguida atiraram fruta e outros objectos para os pisos inferiores da cadeia de Custóias, a maior do país.

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Mais de 400 reclusos da prisão de Custóias, no distrito do Porto, protestaram esta quarta-feira recusando-se a almoçar, tendo de seguida atirado fruta e outros objectos para os pisos inferiores da cadeia. A descrição é feita pelo presidente do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP), Jorge Alves, que indica que os guardas tiveram que disparar tiros de avisos, com pólvora seca, para controlar a situação.

O director-geral de Reinserção e dos Serviços Prisionais, Celso Manata, assegura que "só foi disparado um tiro para o ar". E insiste que "não tem notícia de haver um problema grave em Custóias", tratando-se de "um protesto ordeiro" em que não houve confrontos com os guardas. 

O dirigente do SDCGP diz que os reclusos foram de seguida fechados nas celas, não tendo ainda almoçado. Segundo Jorge Alves, tudo começou por volta das 11h, quando uma parte dos reclusos foram chamados para o almoço. Os detidos dos pavilhões A, B e alguns do C recusaram-se a ir para o refeitório. "Inicialmente os reclusos sentaram-se à porta das celas recusando-se a ir almoçar. De seguida é que começaram a atirar fruta e outros objectos dos pisos superiores cá para baixo", descreve. 

O sindicalista adiantou que a direcção da prisão deu indicações para serem disparados tiros para o ar para repor a ordem e a normalidade.

Jorge Alves disse ainda que se desconhece para já os motivos do protesto, já que, apesar de haver um plenário sindical marcado para esta quarta-feira às 14h, a cadeia está a funcionar normalmente. "Suspeitamos que foi um acto de solidariedade com os presos do Estabelecimento Prisional de Lisboa", adianta Jorge Alves. 

O dirigente sindical fala igualmente em desacatos no Estabelecimento Prisional do Linhó, em Cascais, onde esta manhã, num pavilhão com cerca de 150 reclusos, foram cortados colchões aos bocados e atirados para o recreio. Celso Manata diz não ter qualquer informação sobre este protesto.

Estes distúrbios na prisão de Custóias, a maior prisão do país, acontecem menos de 24 horas depois dos reclusos da ala B do Estabelecimento Prisional de Lisboa se terem amotinado com gritos, queimado colchões e papéis e partido a algum material, obrigando os guardas prisionais a "usar a força". Celso Manata confirma que, neste caso, foram disparados tiros de borracha para o chão.