Estivadores: acordo à vista no Porto de Setúbal

O sindicato que representa estivadores e as empresas de trabalho portuário estão separadas apenas por “pequenos aspectos”.

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Reuters/RAFAEL MARCHANTE

O acordo entre os estivadores de Setúbal e as empresas de trabalho portuário para pôr fim à paralisação que dura há três semanas deve ser alcançado até sexta-feira, sendo apenas “pequenos aspectos” o que separa as partes, revelou hoje o presidente do Sindicato dos Estivadores e Actividades Logísticas (SEAL) no encontro que decorreu esta manhã.

António Mariano informou que já há acordo quanto ao número de trabalhadores a contratar por tempo indeterminado, que serão 56. “Não aceitavam contratar mais de 30, mas agora já assinam [contrato com] 56”, disse o sindicalista, transmitindo aos estivadores as conclusões da primeira ronda de negociações com a Operestiva, que decorreu segunda-feira no Ministério do Mar. “Não aceitavam negociações sem cancelamento da paralisação, mas já [nos] reunimos”, acrescentou.

A questão principal que ainda divide sindicato e empresas é relativa aos contratos já celebrados pela Operestiva. A empresa contratou dez trabalhadores e o SEAL não aceita que esse número integre o total de 56 a contratar.

“Querem dar tratamento privilegiado a quem na sombra travou esta luta”, afirmou António Mariano, deixando bem claro que a posição do sindicato é a de a empresa ter de admitir mais 56 estivadores, independentemente de ter já admitido dez.

As negociações prosseguem no Ministério do Mar, em Lisboa, na quinta e sexta-feira, e o presidente do sindicato admite que um acordo pode ser concluído.

A paralisação dos estivadores que mantém parados os dois principais terminais do Porto de Setúbal há três semanas alargou-se hoje aos restantes terminais portuários do Sado, com os trabalhadores da Setulset a juntarem-se à luta dos eventuais da Operestiva.

Os estivadores eventuais da segunda empresa de trabalho portuário de Setúbal decidiram na segunda-feira, ao final do dia, em plenário, aderir imediatamente ao protesto, nas mesmas condições dos trabalhadores da Operestiva, com paralisação total ao trabalho e por tempo indeterminado até que as negociações entre as empresas e o sindicato sejam retomadas.