Paralisação de estivadores alarga-se a todo o Porto de Setúbal

Trabalhadores eventuais dos terminais que ainda operavam entram definitivamente na luta. Ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, convocou todos os operadores e sindicatos para uma reunião no ministério

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LUSA/RUI MINDERICO

No dia para o qual a ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, convocou para uma reunião no ministério dez entidades para discutir o quadro das relações laborais no porto de Setúbal, a paralisação dos estivadores que mantém parados os dois principais terminais do Porto de Setúbal há três semanas alargou-se aos restantes terminais portuários do Sado, com os trabalhadores da segunda empresa de trabalho a decidirem hoje, em plenário, juntarem-se à luta dos eventuais da Operestiva.

Para reunião agendada para o final da tarde desta segunda-feira, Ana Paula Vitorino convocou o Sindicato Nacional dos Estivadores, Trabalhadores do Tráfego, Conferentes Marítimos e Outros, e que agora se domina SEAL, a Anesul - Associação dos Agentes de Navegação e Empresas Operadoras Portuárias, a  Aop - Associação Marítima e Portuária, a Operestiva - Empresa de Trabalho Portuário de Setúbal, a Navipor - Operadora Portuária Geral, a Sadoport - Terminal Marítimo do Sado, a Setefrete - Sociedade De Tráfego e Cargas, a Tersado – Terminais Portuários do Sado, a Setulset – Empresa de Trabalho Portuário de Setúbal e ainda a APSS – Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra.

A paralisação começou por ser efectuada pelos estivadores eventuais simpatizantes do SEAL (mas que ainda não estão filiados). Mas o sindicato liderado por António Mariano já fez saber que só amanhã, terça-feira, e após uma reunião com vários representantes dos trabalhadores e dirigentes sindicais nacionais e internacionais, é que fará comentários à reunião de hoje.

Os estivadores eventuais da Setulset, a segunda empresa de trabalho portuário de Setúbal, que opera nos terminais Tersado e da Sapec, decidiram esta segunda-feira, num plenário que começou às 9h30, decorreu durante todo o dia e que juntou mais de uma centena de trabalhadores de ambas as empresas de trabalho temporário, aderir imediatamente ao protesto.

O porto esteve paralisado esta segunda-feira, devido ao plenário, que se prolongou pelos dois turnos de trabalho – um turno é das 8 às 17 horas e o outro das 17 até à 01h00 -, e assim vai continuar paralisado nos próximos dias até que seja resolvido o conflito.

O PÚBLICO apurou que esta segunda vaga de estivadores aceitou entrar na luta nas mesmas condições dos primeiros, com paralisação total ao trabalho e por tempo indeterminado até que as negociações entre as empresas e o sindicato sejam retomadas para a celebração de um contrato colectivo de trabalho.

Com este reforço do número de trabalhadores eventuais em paragem, e face ao reduzido número de trabalhadores efectivos, que mantém também uma greve ao trabalho extraordinário, o Porto de Setúbal fica totalmente parado, sem actividade em qualquer um dos quatro terminais existentes.

Navio da Autoeuropa carregou mil carros

O navio Paglia, que escalou o Porto de Setúbal na semana passada, e que furou o bloqueio imposto pelo conflito laboral, zarpou no sábado às 17 horas, rumo à Alemanha, sem conseguir embarcar os dois mil carros previstos. O PÚBLICO questionou a Autoeuropa sobre se havia concretizado a totalidade da operação, e quantos carros havia carregado mas ainda não obteve resposta. O cargueiro, segundo o PÚBLICO apurou, não carregou mais de mil veículos.

Durante os dias em que durou a operação no terminal Ro-Ro, cuja operação implicou um forte dispositivo de segurança e o uso da força por parte da PSP para retirar os estivadores em luta do acesso, a paralisação parcial do porto estendeu-se aos terminais que ainda estavam a trabalhar; o terminal Tersado, de carga geral, granéis, contentores frigoríficos e ferro, e ao terminal da Sapec, que serve a fábrica desta multinacional na Mitrena. 

Depois de terem estado ao lado dos estivadores da Operestiva nesses dias, em solidariedade, os trabalhadores da Setulset, entram agora definitivamente na luta contra a precariedade laboral no Porto de Setúbal.