Medicina: centenas de voluntários testam prova que substitui temido “Harrison”

A nova prova de acesso à formação especializada assenta sobretudo no raciocínio clínico, ao contrário do "exame Harrison", que se baseava na memorização.

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Rui Gaudencio

Um grupo de mais de 1400 estudantes e recém-diplomados em Medicina voluntariou-se para testar o novo modelo de prova de acesso à especialidade que em 2019 vai substituir o temido e contestado “exame Harrison”. O teste piloto da chamada prova nacional de acesso à formação especializada realiza-se nesta sexta-feira à tarde em Lisboa, Porto, Coimbra, Braga e Covilhã.

Ao fim de quatro décadas, o “Harrison” – como ficou conhecido o controverso exame cuja nota final determina que especialidade clínica podem escolher os jovens médicos – realizou-se pela última vez na quinta-feira passada. No final, a maior parte dos candidatos respirou de alívio, porque o "exame Harrison" implicava memorizar quase até à exaustão o tratado de medicina norte-americana que recebeu o nome do cardiologista que foi o seu primeiro editor.

“A nova prova é uma lufada de ar fresco, o novo modelo agrada-nos bastante. Vai ser um grande estímulo para os candidatos saberem mais Medicina e não estarem [apenas] um ano a estudar”, sublinha Edgar Simões, presidente da Associação Nacional de Estudantes de Medicina (ANEM), que continua, porém, a contestar o facto de os candidatos serem obrigados a pagar 90 euros para fazer a prova de acesso à formação especializada.

A partir de agora, a bibliografia inclui não só o "Harrison" mas diversas outras obras de referência. O novo modelo vai assentar sobretudo no raciocínio clínico e na aplicação e integração dos conhecimentos clínicos adquiridos ao longo de todo o percurso académico.

Mas há outras diferenças. Dos 150 minutos para responder a 100 perguntas de escolha múltipla no modelo anterior passa-se agora para uma prova mais longa – com 150 questões num exame que se prolonga por quatro horas, com uma hora de intervalo pelo meio. Também serão integradas muitas áreas que não eram consideradas para o “Harrison”, como a psiquiatria, a pediatria e a ginecologia.

O que se mantém é a certeza de que esta vai ser uma prova cada vez mais competitiva. Desde 2015 que os jovens médicos começaram a não ter todos vaga para fazer a formação especializada e o problema tem-se agravado de ano para ano. Pelas contas do presidente da ANEM, se em 2015 foram 114 os candidatos que não conseguiram vaga, este ano foram já 465 os que ficaram de fora.