Trabalhadores selam paz social na Autoeuropa

Pré-acordo que prevê pagamento a dobrar aos sábados e domingos foi aprovado por 72,8% dos votos.

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Daniel Rocha

Os trabalhadores da Autoeuropa aprovaram o novo acordo de trabalho, com 72,8% de votos favoráveis. “Sempre dissemos que íamos lutar por um bom acordo e foi isso que conseguimos, como os próprios trabalhadores hoje reconheceram”, afirmou o coordenador da Comissão de Trabalhadores, Fausto Dionísio, à Lusa.

Com este resultado, avança o que tinha sido definido entre a gestão da unidade da Volkswagen em Palmela e a Comissão de Trabalhadores (CT), e que implica o pagamento de uma majoração de 100% a quem trabalhe nos turnos de sábados e domingos, já a partir de Novembro, e um aumento salarial de 2,9% em cada um dos próximos dois anos (valor acima da inflação prevista).

Ao mesmo tempo, e conforme já afirmara o coordenador da CT, Fausto Dionísio, a fábrica de Palmela garante vínculos permanentes, no ano que vem, a “mais de 300 trabalhadores” que estão a prazo. Neste momento a fábrica conta com 5900 funcionários.

“Este acordo representa um marco importante na consolidação do crescimento da fábrica, reconhecendo o desempenho de toda a equipa no processo de transformação da Volkswagen Autoeuropa para uma unidade de grande volume de produção”, afirmou entretanto a administração da empresa, através de um comunicado enviado às redacções.

O resultado desta votação deve colocar um ponto final no ambiente de alguma incerteza e instabilidade laboral que se vivia desde o início do Verão passado, quando começaram as alterações na fábrica ligadas ao novo modelo, o T-Roc, que implicaram mais turnos semanais.

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O mês de Agosto de 2017 ficou marcado por uma greve e pela demissão da CT que existia então, na sequência da rejeição pelos funcionários do pré-acordo que ficara estabelecido com a administração liderada por Miguel Sanches.

Depois disso, um segundo pré-acordo, já negociado com a nova CT encabeçada por Fernando Gonçalves (que acabou por se afastar, sendo substituído por Fausto Dionísio), também caiu por terra devido à recusa dos trabalhadores.

Face ao impasse, a gestão da fábrica alemã avançou unilateralmente em Janeiro com o novo horário de produção de 17 turnos semanais, acrescentando a laboração aos sábados com dois turnos (pagos com um acréscimo de 100%, equivalente ao pagamento como trabalho extraordinário). Esta medida seria revista em Agosto, altura em que se avançava então para o modelo de trabalho “a todo o vapor”, com dois turnos aos domingos.

A inclusão dos domingos e o esquema remuneratório associado foi agora a votos, embora a laboração nestes dias já ocorra desde o final de Agosto, com resultados visíveis em Setembro.

Nesse mês, foram produzidas 22.955 unidades, um novo recorde (2,5 vezes o número de idêntico período do ano passado). Nos primeiros sete meses deste ano a produção atingiu os 165.819 veículos, contra os 68.299 do período homólogo, o que teve um impacto expressivo nas exportações nacionais e na balança comercial.

Pelo meio, em Outubro do ano passado, a fábrica de Palmela deixou de produzir o Scirocco, quase dez anos depois de este modelo ter começado a ser fabricado na Autoeuropa. Além do T-Roc, são aqui montados também o VW Sharan e o Seat Alhambra.