Veterano do Afeganistão mata 12 pessoas em bar de Los Angeles

Ataque a festa universitária em Thousand Oaks, na Califórnia, fez ainda 21 feridos. O suspeito foi encontrado morto no local.

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Polícia, bombeiros, equipas médicas e FBI estão a participar nas investigações EPA/MIKE NELSON
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A maioria das pessoas que se encontrava no bar era composta por jovens universitários EPA/MIKE NELSON
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Ambiente é de choque e tristeza em Thousand Oaks EPA/MIKE NELSON
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Várias ambulâncias estão estacionadas perto do bar Reuters/SOCIAL MEDIA
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Testemunhas falam em "puro pânico" EPA/MIKE NELSON
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Autoridades estabeleceram um perímetro de segurança EPA/MIKE NELSON
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Autoridades foram chamadas ao local pelas 23h20 locais Reuters/SOCIAL MEDIA

Pelo menos 12 pessoas morreram e outras 21 ficaram feridas, na sequência de um tiroteio num bar de Thousand Oaks, a cerca de 65 quilómetros de Los Angeles, no estado norte-americano da Califórnia, ocorrido ao final da noite de quarta-feira (manhã desta quinta-feira em Portugal continental).

Entre os mortos encontra-se o atirador e um polícia veterano, Ron Helus, declarado morto no hospital. O atacante, identificado como Ian David Long, de 28 anos, suicidou-se, tendo sido encontrado no local com “ferimentos de bala”, disse o xerife de Ventura County, Geoff Dean, à CNN.

Long, que usou uma arma de calibre 45 no ataque, serviu na Marinha dos EUA de 2008 a 2013, segundo o Departamento de Defesa, e admite-se que o número de vítimas do seu ataque possa aumentar. “Há muitas vítimas com diferentes níveis de ferimentos”, alertou Dean.

Ainda não se sabe o motivo do ataque. Contudo, o xerife disse que as autoridades tinham tido “contactos menores” com o atirador, como em casos de acidentes rodoviários e lutas de bar. Dean declarou também que Long foi avaliado psicologicamente em Abril de 2018, mas que a equipa de intervenção de Ventura County não considerou necessário mantê-lo em “observação psiquiátrica”. O xerife acrescentou que o atirador, um soldado condecorado da guerra do Afeganistão, podia estar a sofrer de stress pós-traumático.

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Uma testemunha do tiroteio, nas imediações do Borderline Bar & Grill EPA/MIKE NELSON

“Em Abril deste ano, as autoridades foram chamadas a casa dele, por incomodar os vizinhos. Ele parecia zangado, e agia de forma irracional. Os polícias chamaram a nossa equipa de intervenção, que falou com ele e não achou que fosse necessário levá-lo ao abrigo da Lei nº 5150”, disse o xerife à CNN.

Calcula-se que estivessem 200 pessoas no bar, muitas delas jovens, já que decorria uma festa universitária de música country. O estabelecimento abre a toda a gente acima dos 18 anos às quartas-feiras, e é um local “divertido para dançar”, dizem as testemunhas. Segundo o xerife, o ataque é “incompreensível” e “trágico”, já que a cidade é “das mais seguras” nos EUA.

“Por volta das 23h20 [7h20 de quinta-feira em Lisboa] relataram-se disparos no Borderline Bar & Grill. Quando já nos encontrávamos no local os disparos prosseguiam, era um tiroteio activo”, informou Garo Kuredjian, porta-voz do departamento policial de Ventura County e irmão do polícia Hagop “Jake” Kuredjian, morto num ataque em 2001. Revelou ainda que o FBI também foi chamado para ajudar nas investigações.

A cena do crime foi descrita pelas autoridades como “horrível”, “com sangue por todo o lado”. Uma testemunha, John Hedge, disse à ABC-7 que um homem armado, “alto, vestido de preto e com a cara parcialmente tapada” entrou no bar, disparou sobre o segurança e um outro funcionário e lançou bombas de fumo.

“Comecei a ouvir vários estalidos, o atirador estava a lançar granadas de fumo. Depois começou a disparar, não parava. As pessoas tiveram de fugir pela janela”, contou Hedge à emissora de Los Angeles.

Um estudante, citado pela CNN, estava no bar com os amigos e relatou um cenário de “caos”. “Pelo que percebi, o atirador começou a disparar na entrada. E as pessoas saltaram pelas janelas, esconderam-se no sótão ou nas casas de banho.”

A estudante Erika Sigman disse que, mal se ouviram os disparos, as pessoas começaram a gritar “baixem-se! baixem-se!” e “amontoaram-se umas em cima das outras”, debaixo das mesas. “Entrámos todos em estado de choque, foi puro pânico”, contou à KABC.

São vários os familiares na espera para encontrar os seus ente queridos desaparecidos. Jason Coffman disse à CNN que o telemóvel do filho, Cody Coffman, “está dentro do bar”, mas que o aparelho “não sai do sítio” e o rapaz de 22 anos “não atende”. “Só posso pedir que rezem pelas vítimas e pelos familiares na minha posição”, apelou.

O sargento Ron Helus, que se ia reformar em 2019, foi atingindo “imediatamente” ao entrar no estabelecimento com outro polícia, disse o xerife. “O Ron era um sargento trabalhador e dedicado, dava o seu melhor. Ele entrou para salvar vidas e pagou o preço mais alto. Morreu um herói”, disse Dean à CNN, emocionado.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, classificou o tiroteio de “terrível” e elogiou as autoridades pela sua “coragem”, no Twitter: “Grande coragem demonstrada pela polícia. A polícia de trânsito da Califórnia chegou ao local em três minutos, e o primeiro polícia a entrar foi atingido várias vezes. Esse polícia veterano morreu no hospital. Que Deus abençoe todas as vítimas e as suas famílias. Obrigado às autoridades.”

Em comunicado, Trump decretou que a bandeira da Casa Branca e de todos os edifícios públicos seja hasteada a “meia haste” até ao “anoitecer do dia 10 de Novembro”, como forma de respeito às vítimas.

Também a senadora da Califórnia, Kamala Harris, agradeceu as “acções heróicas” de Helus, e apelou a que o Congresso tome medidas. “Estou a rezar pelos feridos e pelas famílias das vítimas, que, como tantas outras, perderam os seus familiares para a violência com armas. Os líderes do Congresso têm de agir – não algum dia, agora”, publicou a senadora, no Twitter.

A senadora da Califórnia, Dianne Feinstein, também apelou a uma mudança na lei: “Alguns vão dizer que precisamos de mais armas, um argumento absurdo quando num bar cheio de estudantes com seguranças armados um polícia foi morto”, disse, em comunicado. “Podemos não ser capazes de acabar com toda a violência com armas, mas não significa que deixemos os republicanos enfiar a cabeça na areia.”

O ataque de 2017 em Las Vegas, que matou 58 pessoas e feriu centenas, quando um homem de 62 anos abriu fogo numa multidão de 22 mil pessoas num concerto de música country, é considerado o “mais mortífero” da história americana moderna. Nicholas Champion, sobrevivente do ataque desta quinta-feira, disse à CBS que muitas pessoas no bar estavam no concerto de Las Vegas na altura, lamentando que seja a “segunda vez num ano que isto acontece”.

O ataque surge duas semanas depois de um homem ter atirado sobre duas pessoas num estúdio de yoga, na Flórida, e de outro ter disparado sobre 11 pessoas numa sinagoga, em Pittsburgh.

Segundo a organização sem fins lucrativos Gun Violence Archive, houve 307 ataques com armas nos EUA em 2018, resultando num número total de 12,475 mortos e 24,226 feridos. Desses, cerca de 3000 são crianças e adolescentes.