BE considera "perigoso" discurso de Centeno. PCP lembra "embuste"

A bloquista vê nas palavras do ministro das Finanças sobre a Grécia o mesmo "discurso moralista" da era da troika, o que pode ser perigoso na imposição do mesmo tipo de políticas.

Fotogaleria
Maria Mortágua reage ao vídeo de Centeno Nuno Ferreira Santos
Fotogaleria
Comunistas lembram "embuste" Miguel Manso

As palavras do presidente do Eurogrupo dirigidas à Grécia agitaram as campainhas de alarme que nos últimos tempos têm soado no Bloco de Esquerda em relação a Mário Centeno. Para a bloquista Mariana Mortágua, a porta-voz do partido para os assuntos financeiros, o que disse o ministro das Finanças em relação à saída da Grécia do programa de ajustamento é "perigoso" e revela que há uma necessidade de se analisar criticamente as políticas da União Europeia.

"É perigoso para o futuro de Portugal e da Europa porque ter um presidente do Eurogrupo que considera que a culpa da crise é dos gregos e não das políticas europeias, é sinal que está disposto a manter [a linha de rumo] das instituições europeias e as políticas de chantagem", diz a deputada em declarações ao PÚBLICO. Ou seja, "está a validar a austeridade, as imposições e a chantagem como forma de lidar" com os países em dificuldade.

Em apenas um minuto, Mário Centeno conseguiu reavivar, para Mortágua, o discurso "moralista" que imperou nos últimos anos, quando Jeroen Dijsselbloem, o holandês que foi presidente do Eurogrupo, criticava sobretudo os povos do Sul.

"Aquilo que Centeno tem demonstrado é que entre os sacrifícios do povo grego e as imposições europeias, Centeno coloca-se do lado das imposições europeias. Quem achava que Centeno levaria [para o Eurogrupo] uma posição crítica das instituições europeias, enganou-se. Isto demonstra que não é diferente do seu antecessor. Defende as mesmas políticas do seu antecessor, mesmo que com estilos diferentes", acrescentou.

Mariana Mortágua tem sido bastante crítica da actuação do ministro das Finanças, e desta vez não falou sozinha. As críticas chegaram dentro do próprio partido do Governo. João Galamba considerou o vídeo "lamentável".

O PCP, numa resposta por escrito enviada ao PÚBLICO, prefere não falar directamente de Mário Centeno, preferindo criticar à partida os programas de ajustamento que considera "verdadeiros pactos de agressão contra Estados e povos" e que "são instrumentos da estratégia de empobrecimento, liquidação de direitos, favorecimento do poder monopolista e de ataque à soberania nacional". Nestas respostas, o PCP lembra o caso português para dizer que a saída "limpa ou não" é "um embuste". "As limitações à soberania que decorrem da 'vigilância' a que se mantém submetido pelo FMI e a UE, e sobretudo a submissão às imposições orçamentais que impedem o desenvolvimento do país, e a resposta aos problemas nacionais comprovam-no."