Administração Interna “não confirma” viaturas impotentes para apagar fogos

CDS e PSD vão pedir explicações ao Governo. Associação sindical diz que há oito veículos cujas motobombas não cumprem caderno de encargos

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Fernando Veludo

O Ministério da Administração Interna “não confirma” que parte das viaturas entregues este Verão à GNR para combater incêndios não tenham potência suficiente para a missão. Mas fica-se por explicações genéricas sobre o que realmente se passa.

Já a Associação dos Profissionais da Guarda (APG) insiste que há mesmo problemas graves em oito das 80 pick-ups destinadas à unidade da GNR que combate os fogos, a GIPS. Em causa, explica o presidente desta organização, César Nogueira, estão as motobombas para o lançamento da água instaladas nos veículos: “Não têm a potência prevista no caderno de encargos, o que põe em risco a segurança dos guardas, que teriam de se aproximar demasiado dos focos de incêndio”. Por isso, adianta o mesmo dirigente, a opção da GNR foi deixar as oito viaturas paradas: “Foram dadas ordens para não serem utilizadas”.

Em comunicado, a tutela diz que “não confirma qualquer anomalia nas viaturas”, que, de resto, assegura estarem “plenamente operacionais”. Mas vai acrescentando que os contratos firmados com as empresas que as forneceram ao Estado “prevêem penalidades para situações de incumprimento”. O Ministério da Administração Interna acrescenta ainda em comunicado que “todas as necessidades e melhorias identificadas estão a ser supridas no âmbito da Lei de Programação de Infra-estruturas e Equipamentos para as Forças e Serviços de Segurança”.

O discurso do secretário de Estado da Protecção Civil, José Artur Neves, pauta-se pelo mesmo diapasão. "Os veículos estão operacionais e estão no terreno (...) e, portanto, estão a funcionar em pleno. Os contratos que foram estabelecidos entre o Estado através da entidade de contratação pública e os cadernos de encargos elaborados pela GNR, naturalmente que foram cumpridos no contrato que foi estabelecido", assegurou o governante, citado pela agência Lusa. Para logo a seguir ressalvar: "Se há um pormenor ou outro que não esteja em condições, naturalmente que é assumido pela entidade contratada. Não temos dúvida nenhuma quanto a isso. Contudo, importa esclarecer: todos os veículos estão operacionais, nenhum está inoperacional".

Ou seja, nenhum dos veículos tem problemas que os impeçam de circular. Se não o fazem, explica o presidente da APG, é por uma questão de precaução. E também para que o fornecedor não possa alegar que os equipamentos que forneceu foram mal usados.

Entretanto, o deputado do PSD Duarte Marques anunciou que vai pedir esclarecimentos ao Governo. O mesmo prometeu fazer o líder parlamentar do CDS, Nuno Magalhães, que considera “graves e preocupantes” as anomalias nas novas viaturas.