Ministros europeus esperam o melhor e preparam-se para o pior

Conselho de ministros dos Assuntos Europeus discute apoia estratégia negocial de Michel Barnier

União Europeia, Europa, Brexit
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Michel Barnier sublinhou que a posição da UE é de total disponibilidade STEPHANIE LECOCQEPA

Ainda que as negociações do "Brexit" estejam emperradas, Michel Barnier, o negociador-chefe da Comissão Europeia para o “Brexit”, recebeu esta sexta-feira mais um aplauso dos ministros dos 27 Estados-membros da UE, que se mantêm unidos, em sintonia e perfeitamente de acordo com a sua perspectiva e com a forma como o diplomata francês tem conduzido as negociações com o Governo britânico. “Com objectividade, transparência e total disponibilidade”, resumiu o próprio Barnier, no final da reunião do Conselho Europeu.

Para não fragilizar mais a posição da primeira-ministra Theresa May, nenhum dos líderes europeus quer pronunciar-se (on ou off the record) sobre a possibilidade de as negociações fracassarem. A mensagem é de confiança e esperança, mesmo que os prazos para fechar o acordo comecem a ficar apertados: não há uma data concreta, mas ambas as partes convencionaram o mês de Outubro como limite, para haver tempo para as consultas parlamentares necessárias à ratificação do acordo antes do dia D do “Brexit”, 30 de Março de 2019.

Segundo confirmou uma fonte diplomática, todos os países expuseram na reunião os seus pontos de vista, que são coincidentes com os da Comissão, em termos da defesa do percurso definido para as negociações — há que fechar o acordo de saída antes de abordar as ideias vertidas por Londres para o seu Livro Branco. E todos sublinharam a necessidade de prosseguir com cautela, reconhecendo que há um contexto político difícil no Reino Unido, o que exige “muito cuidado na comunicação”.

Mas em Bruxelas e nas várias capitais intensificam-se os preparativos para o cenário de no deal. A Comissão Europeia apresentou uma comunicação com os seus planos de contingência em caso de “hard Brexit” — servem de guia para as medidas que terão de ser adoptadas pelos governos, as empresas e os indivíduos de cada um dos 27 países da UE.

Em Portugal, é a Direcção-geral dos Assuntos Europeus que está a centralizar o trabalho preparatório em termos de nova legislação e funcionamento dos serviços públicos. Os ministérios mais afectados são os da Administração Interna, Economia e Planeamento. Paralelamente, o Governo está a discutir o assunto na Concertação Social, e também com as empresas, através da AICEP, que já iniciou reuniões técnicas de apoio aos exportadores de produtos e serviços para o Reino Unido.