Representantes norte-coreanos viajam para Singapura e Washington

As deslocações parecem confirmar que os preparativos para a cimeira histórica entre a Coreia do Norte e os EUA se mantêm de pé.

A Casa Branca e Trump também confirmam as viagens de representantes norte-americanos a Singapura e Coreia do Norte
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A Casa Branca e Trump também confirmam as viagens de representantes norte-americanos a Singapura e Coreia do Norte Reuters/ERIC THAYER

A cimeira histórica entre os EUA e a Coreia do Norte foi cancelada oficialmente na semana passada, mas os preparativos decorrem como planeado, sem interrupções. Os desenvolvimentos do passado fim-de-semana (com uma reunião secreta a acontecer entre os líderes das duas Coreias e os elogios de Trump à forma como o Norte reagiu ao cancelamento da reunião) parecem corroborar a ideia de que o encontro continua de pé – e as viagens do chefe do Estado-maior de Kim Jong-un, Kim Chang-son, a Singapura, e de outro alto-funcionário norte-coreano, Kim Yong-chol, a Washignton parecem não deixar grande margem para dúvidas.

Apanhado pela televisão japonesa NHK durante a noite de segunda-feira, no aeroporto de Pequim, onde terá feito escala, Kim Chang-son disse, de forma enigmática, que se dirigia a Singapura “para jogar”. Os relatos da agência noticiosa sul-coreana Yohnap, que dão conta da viagem de outro alto-funcionário coreano, Kim Yong-chol, general e vice-presidente do Comité Central do Partido Comunista Coreano, a Washington são outro sinal de que a hipótese de a cimeira se realizar continua de pé.

O responsável da Coreia do Norte deve encontrar-se nesta terça-feira com responsáveis da República Popular da China, onde fez escala, num contexto de alterações diplomáticas no sentido da aproximação entre Pyongyang e Seul e no quadro da possível cimeira de 12 de Junho, em Singapura.

A confirmar-se, a visita do general norte-coreano aos Estados Unidos vai ser a primeira deslocação de um alto oficial militar norte-coreano desde o ano 2000, altura em que o vice-marechal Jo Myong-rok se encontrou com o então Presidente norte-americano, Bill Clinton, em Washington.

Do lado norte-americano, uma equipa de representantes governamentais partiu para Singapura na segunda-feira, tal como esperado e planeado. Os representantes norte-americanos tinham viagem marcada para se encontrar com homólogos norte-coreanos, em preparação da cimeira histórica de 12 de Junho. Já no domingo, Trump revelou que uma delegação norte-americana se dirigiu para a Coreia do Norte para preparar a reunião: “A nossa equipa dos Estados Unidos chegou à Coreia do Norte para negociar a cimeira com Kim Jong-un”, escreveu o Presidente no Twitter.

Esta segunda-feira, durante uma conversa telefónica entre Trump e o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, foi marcada uma reunião entre os dois antes da cimeira “esperada” de 12 de Junho, informa a Casa Branca. Durante a chamada, Trump e Abe reafirmaram “o imperativo partilhado de alcançar o desamamento nuclear, químico e de armas biológicas da Coreia do Norte, completo e permanente, assim como dos programas de mísseis balísticos”, lê-se num comunicado da Casa Branca, citado pelo Guardian.

No sábado passado, o líder norte-coreano Kim Jong-un e o Presidente sul-coreano, Moon Jae-in, encontraram-se de surpresa em Panmunjon, cidade fronteiriça, na zona desmilitarizada, onde acordaram que a cimeira de 12 de Junho em Singapura se devia realizar a qualquer custo. Moon estará em Singapura na altura da cimeira e a sua participação activa nas conversações dependerá do acordado durante as reuniões preliminares entre a Coreia do Norte e os EUA.

Na semana passada, Trump cancelou a cimeira entre os EUA e a Coreia do Norte, alegando que “não é apropriado, neste momento”, encontrar-se com Kim. As conversações entre os EUA e a Coreia do Norte foram quebradas na sequência da agressividade crescente nos discursos de ambos os lados – se os EUA lançavam ameaças veladas a Pyongyang com referências ao “modelo líbio”, o vice-presidente norte-americano, Mike Pence, era apodado de “idiota” pelos norte-coreanos. Na carta que endereçou a Kim Jong-un, Donald Trump lamentava a “tremenda ira” e a “hostilidade aberta” demonstradas. Os norte-coreanos reagiram através do vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Kim Kye Gwan, mostrando-se “abertos a resolver os problemas a qualquer hora e de qualquer maneira”.

A resposta agradou a Trump, que saudou a disponibilidade norte-coreana. “Veremos até onde é que isto nos pode levar, espero que a uma paz e prosperidade longa e duradoura. Apenas o tempo (e o talento) o dirá!”, escreveu o Presidente norte-americano no Twitter. com Lusa