Candidatos dos extremos disputam segunda volta na Colômbia

Iván Duque, com posições que o aproximam da extrema-direita, e Gustavo Petro, ex-presidente da Câmara de Bogotá e ex-membro de uma guerrilha de esquerda, voltam a defrontar-se a 17 de Junho.

Iván Duque, este domingo
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Iván Duque, este domingo LUSA/Mauricio Duenas Castaneda
Teatro musical
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Gustavo Pedro comemora a passagem à segunda volta Henry Romero/REUTERS

As primeiras eleições presidenciais disputadas à luz dos acordos de paz com as FARC, na Colômbia, não fizeram eleger um chefe de Estado à primeira, e revelaram uma enorme polarização da sociedade. Iván Duque, um candidato crítico do acordo de paz com as FARC ficou em primeiro lugar: conseguiu 39,13% dos votos. Mas terá de se bater contra Gustavo Petro, um ex-guerrilheiro de esquerda, que conseguiu 25,09% dos votos. A segunda volta está marcada para 17 de Junho.

Iván Duque, com posições que o tornam um candidato com características de extrema-direita, é apoiado pelo antigo Presidente Álvaro Uribe, que se opõe ao acordo de paz com as FARC, a guerrilha que depôs as armas. Este acordo, que pôs fim a uma guerra que fez pelo menos 220 mil mortos, valeu ao Presidente cessante Juan Manuel Santos o Prémio Nobel da Paz em 2016.

Ao El País, Duque afirmou que não tenciona acabar com o acordo com os guerrilheiros, mas que quer introduzir modificações importantes. Em termos económicos, este representante da oligarquia colombiana que chamou a Uribe "o Presidente eterno", relata o New York Times, advoga uma economia mais amiga os mercados, apoia a iniciativa privada para a geração de riqueza, e promete de cortar impostos e atrair investimento para o país.

Gustavo Petro, o segundo mais votado, juntou-se nna juventude ao movimento M-19, um dos muitos movimentos de guerrilha que assolaram a Colômbia. Mas o M-19  terminou em 1990. Petro é um político da esquerda latino-americana, que se notabilizou como presidente da Câmara da capital colombiana, Bogotá, e apoia o acordo com as FARC, introduzido pelo actual Presidente Juan Manuel Santos, um centrista.

Sem críticas para a Venezuela

Petro assume-se, em termos económicos, contra as grandes multinacionais que operam no país e mostrou-se relutante em criticar a vizinha Venezuela durante a campanha, o que lhe alienou muitos votos.

O candidato de esquerda promete pôr cobro à oligarquia “feudal” do país, através da distribuição de terrenos privados pouco produtivos pelas classes mais pobres, da substituição do petróleo e do carvão por energias mais ecológicas e da criação de um sistema bancário público, que facilite o acesso ao crédito às pequenas empresas e negócios familiares.

Ambas as posições se distanciam do legado de Juan Manuel Santos. Em causa estão questões como a paz, a eliminação da violência armada que ainda persiste nalguns territórios, o narcotráfico e a recuperação da economia.

Juan Manuel Santos, em declarações ao El País, salientou as circuntâncias históricas em que se realizaram os comícios que antecederam o escrutínio: “Há muito pouco tempo, décadas, isto não acontecia”, disse, referindo-se ao conflito armado com as FARC. “Por isso vão ser as eleições mais seguras e tranquilas.”