Mariah Carey é bipolar e fala abertamente sobre a doença

A cantora foi diagnosticada em 2001, mas só se sente à-vontade para falar sobre a doença, na esperança de contribuir para afastar o estigma que a rodeia.

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STEPHANIE KEITH

Mariah Carey revelou pela primeira vez que sofre de doença bipolar, tendo sido diagnosticada em 2001. Depois de quase duas décadas a lidar com a situação, a cantora diz que está agora numa "boa posição na vida" e que quer aproveitar a sua influência para ajudar a quebrar o estigma associado com a doença.

Carey fala com algum detalhe sobre a forma como tem lidado com a doença em entrevista à revista People, que lançou esta quarta-feira uma parte do tema de capa da próxima semana, a ser publicado na íntegra na próxima sexta-feira.

"Até recentemente vivia em negação e isolação, com um medo constante de que alguém iria expôr-me", conta a cantora de 47 anos. "Era um peso muito pesado para se carregar e simplesmente já não conseguia fazê-lo. Procurei receber tratamento, rodeei-me de pessoas positivas e voltei a fazer o que adoro: escrever canções e criar música."

Durante anos, a cantora achou que sofria de um distúrbio de sono, mas não tinha os sintomas que o justificassem. Em retrospectiva, identifica os sintomas dos episódios maníacos e depressivos da doença que mais tarde viria a ser diagnosticada: "Trabalhava, trabalhava... Estava num estado de constante irritação e com medo de desiludir as pessoas. Eventualmente batia com a cabeça na parede. Acho que os meus episódios depressivos eram caracterizados como ficando com pouca energia. Sentia-me só e triste – mesmo culpada de que não estava a fazer o que precisava de fazer pela minha carreira." 

A cantora foi hospitalizada em 2001 devido a um "esgotamento físico e mental" e foi nessa altura que conheceu o diagnóstico. Sofre de uma perturbação bipolar tipo II, caracterizada pelo "padrão de episódios depressivos e episódios de hipomania, mas nunca episódios completos de mania [como acontece com o tipo I]", de acordo com documentos da Associação de Apoio aos Doentes Depressivos e Bipolares.

A cantora diz que os primeiros anos foram os mais difíceis – seguidos de muitos outros a sofrer em silêncio. As últimas décadas da sua carreira foram caracterizadas por actuações inconsistentes (como aquela que deu na passagem de ano de 2016 para 2017, que acabou por ser um fiasco de play back) e uma série de relações mediáticas que foram obsessivamente cobertas pelos tablóides, escreve o New York Times.

Actualmente Carey está a tomar medicação e diz que os resultados são positivos. Durante muitos anos preferiu manter o silêncio, mas agora sente-se "confortável" para discutir as dificuldades associadas à doença. "Tenho esperança que consigamos chegar a um momento em que se deixe de lado o estigma que faz com que as pessoas sofram sozinhas. Podes ficar extremamente isolado. A doença não te define e recuso-me a permitir que me defina ou me controle", afirma. 

De acordo com Organização Mundial da Saúde, a doença bipolar (conhecida também como doença maníaco-depressiva) afecta cerca de 60 milhões de pessoas a nível mundial. Segundo o site da CUF, existem cerca de 200.000 casos em Portugal.

"As pessoas com perturbação bipolar passam por drásticas alterações de humor. Por vezes têm episódios maníacos, durante os quais se sentem muito felizes e mais enérgicas e activas do que o normal. Outras vezes, passam por episódios depressivos, com sentimentos de profunda tristeza e quebra de energia", explica a Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental. A doença começa "tipicamente na adolescência ou durante o início da vida adulta e permanece ao longo de toda a vida. Frequentemente, o diagnóstico é difícil e, como consequência, muitos doentes sofrem desnecessariamente durante anos ou até mesmo décadas".

Assim como Mariah Carey, outras estrelas da música e do cinema têm vindo a público, nos últimos anos, para falar sobre as doenças de que sofrem, como Selena  Gomez (diagnosticada com lúpus há anos), Lady Gaga (que já falou extensamente sobre a fibromialgia e as dores paralisantes que sofre com a doença crónica) e Chrissy Teigen (que no ano passado escreveu um ensaio para a revista Glamour sobre depressão pós-parto).