Trump agrava taxas nas importações de metais, enerva aliados e Wall Street estremece

"Vamos estar protegidos pela primeira vez em muito tempo", alega o Presidente dos EUA.

Presidente dos EUA, durante a reunião com os representantes das maiores empresas metalúrgicas norte-americanas, onde anunciou os novos impostos
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Presidente dos EUA, durante a reunião com os representantes das maiores empresas metalúrgicas norte-americanas, onde anunciou os novos impostos Reuters/KEVIN LAMARQUE

O Presidente dos EUA, Donald Trump, concretizou nesta quinta-feira a intenção de impor taxas de 25% nas importações de aço e de 10% nas importações de alumínio a partir da próxima semana e durante “um longo período de tempo”. A medida tem como alvo fundamental as importações provenientes da China, mas atinge também países aliados dos norte-americanos, desde o Canadá a Estados europeus. Mesmo no coração financeiro dos EUA, o anúncio suscitou logo reacções adversas – Wall Street estremeceu e o índice Dow Jones fechou a cair cerca de 2% (ou 420 pontos).

“Vamos impor taxas nas importações de aço e alumínio”, garantiu Trump durante uma reunião com os executivos da indústria metalúrgica, na Casa Branca, nesta quinta-feira. “Algures na próxima semana irei assinar [a ordem]. E vamos estar protegidos pela primeira vez em muito tempo”, afirmou, citado pela agência Bloomberg.

O Canadá, o maior fornecedor, classificou esta medida como “inaceitável”. A União Europeia, por seu turno, prometeu “reagir firmemente” junto da Organização Mundial de Comércio.

Em Abril de 2017, o Presidente norte-americano pediu ao secretário de Comércio, Wilbur Ross, que analisasse o impacto das importações de aço e alumínio na segurança nacional. Esse estudo foi entregue em Janeiro de 2018 e sugeria três formas possíveis de limitar a entrada de ferro e alumínio importados; uma delas passava pelo aumento das taxas sobre importações – e foi essa a opção que Trump escolheu, mas os valores citados nesta quinta-feira pela imprensa norte-americana são superiores, em alguns casos, às taxas de que se falou em meados de Fevereiro, depois de o documento de Ross ter sido entregue a Trump.

As vozes críticas fizeram-se ouvir dentro do próprio Partido Republicano. “Vamos ser claros: o presidente está a propor um aumento de impostos enorme para as famílias americanas”, disse o senador republicano do Nebrasca, Ben Sasse, citado pela Bloomberg. “Esperaríamos uma política tão má de uma administração de esquerda, mas não de uma que é supostamente republicana.”

O analista Art Hogan, da empresa B. Riley FBR, explicou à Reuters que o mercado não costuma reagir bem ao aumento de impostos. “Em termos simples, as taxas nunca funcionaram historicamente e suscitam retaliação. Isto é estar a trabalhar para uma guerra comercial que é um obstáculo para a economia. E também causa inflação”, resume. “Ajuda os produtores de metal onde há apenas cerca de uma dezena, mas prejudica o utilizador final do produto”, conclui.

O Presidente norte-americano não terá avançado com mais detalhes durante aquele encontro, nem esclareceu se haverá excepções para países ou produtos. Os novos impostos foram anunciados durante uma reunião com representantes das maiores empresas metalúrgicas dos EUA, como a ArcelorMittal USA, a Nucor e a Century Aluminum. O valor das acções destas empresas subiram significativamente depois do anúncio de Trump, mas o mercado norte-americano tremeu: os índices bolsistas fecharam em queda acentuada e os investidores mostram-se receosos com as possíveis retaliações dos parceiros comerciais internacionais.

O índice alargado Standard & Poor's 500 está a recuar 1,7%, o Dow Jones industrial 2,0% e o tecnológico Nasdaq, 1,8%. As empresas industriais que podem ser atingidas pelos aumentos de preços estão com fortes perdas, como a Caterpillar, que está a desvalorizar 3,4%.

Logo na campanha eleitoral e mesmo depois de ser eleito, Donald Trump manifestou por diversas vezes a intenção de mudar as regras das relações comerciais dos EUA com o resto do mundo, sob o argumento de que eram injustas. Os EUA importam quatro vezes mais aço do que exportam – e dependem dos produtos de mais de 100 nações.