Crónica

Revêm aí os russos

Não são só os americanos que não conseguem viver sem o papão russo.

Pensava eu que estava livre da Guerra Fria e eis que me apanho mais uma vez rodeado por papões russos. Admito que tenha graça para as pessoas mais novas, como Gavin Williamson, o baby-faced assassin que agora é ministro da Defesa do Reino Unido.

Quando Gorbatchov foi eleito secretário-geral, Williamson só tinha nove anos. O jovem Gavin nunca teve oportunidade de brincar aos comunistas contra guardiões do mundo livre. Ficou traumatizado.

Agora vingou-se da falta que lhe fez o ambiente reds under the bed dos anos 60. Declarou que a Rússia está preparada para matar “milhares e milhares” de britânicos, cortando-lhes o acesso à electricidade, impedindo-os assim de ter acesso à Internet — ou fazendo com que morram de frio, já não me lembro.

A resposta dos russos foi sublime. Bastou-lhes invocar o nome sagrado dos Monty Python. Não foi preciso mais.

Não são só os americanos que não conseguem viver sem o papão russo que, por virtude da infinita maldade que o anima, tem o efeito estonteante de realçar o branco-mais-branco da pureza e inocência dos Estados Unidos.

Perante a percepção da cumplicidade de Trump com as manigâncias russas, o desgoverno conservador do Reino Unido, sentindo-se cada vez mais isolado e esquecido pelos ex-parceiros, recorre às acusações sensacionais para se candidatar ridiculamente ao papel de contrapeso-mor da Rússia na luta global pela liberdade, pelo dinheirinho e por todas as coisas boas e ocidentais que tem o nosso querido mundo.

Boa sorte com a campanha.