Conseguimos perceber se os outros estão doentes num ápice

Estudo feito na Suécia, com fotografias, mostra que os humanos conseguem descrever rapidamente as características de uma pessoa doente.

Um dos participantes do estudo: à esquerda está doente e à direita está saudável
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Um dos participantes do estudo: à esquerda está doente e à direita está saudável Audrey Henderson

Vamos lançar-lhe um desafio: nas fotografias de duas pessoas que acompanham este artigo consegue identificar em qual delas está doente? Este foi também o desafio lançado a algumas dezenas de pessoas que participaram num estudo publicado este mês na revista científica Proceedings of the Royal Society B. A maioria acertou: a pessoa doente é a que está à esquerda.

Investigações anteriores já tinham utilizado fotografias de pessoas “claramente doentes” para estudar o nojo, a ansiedade ou as respostas imunitárias. Agora, cientistas da Suécia, Estados Unidos e da Alemanha quiseram testar o reconhecimento de indivíduos doentes e saudáveis, usando fotografias.

Para isso, a equipa recorreu a 16 voluntários suecos saudáveis, todos caucasianos, que tomaram por duas vezes (separadas por três ou quatro semanas) uma injecção de moléculas esterilizadas, ou seja, que não tinham bactérias vivas. Este método costuma ser usado em experiências para causar infecções em humanos. Provocou-se assim uma resposta imunitária forte e sintomas como os da gripe poucas horas após a injecção.

Estes voluntários foram fotografados duas vezes com a diferença de duas horas: primeiro, quando estavam saudáveis e, depois, quando aparentavam estar doentes. Seguidamente, 62 pessoas analisaram essas fotografias e identificaram o indivíduo saudável e o doente. Por fim, 60 pessoas avaliaram as características faciais dos indivíduos nas fotografias.

“Os avaliadores conseguiram distinguir correctamente 13 dos 16 indivíduos (81%) que estariam doentes”, lê-se no artigo científico. Estes avaliadores descreveram ainda uma série de características faciais nas pessoas doentes, como a palidez da pele, as pálpebras descaídas, olhos vermelhos e os lábios pálidos. “O nosso estudo mostra que os humanos conseguem detectar pistas faciais subtis reveladas numa fase inicial da doença”, resume ao PÚBLICO John Axelsson, da Universidade de Estocolmo e do Instituto Karolinska (Suécia), o principal autor do estudo.

“O importante não é o uso das fotografias, mas sim o uso de características faciais para detectar pessoas doentes”, acrescenta John Axelsson. “Obviamente que avaliamos a saúde das outras pessoas usando um número de pistas, como o comportamento, o cheiro, o movimento biológico, mas aqui mostrámos que isso também acontece com as características faciais.” Estes resultados podem vir a ajudar médicos e softwares de computador a detectar melhor as pessoas que estão doentes, indicou ainda o cientista à agência de notícias AFP.

John Axelsson adianta que o próximo passo será replicar esta investigação em pessoas de outros países, além da Suécia, para se poder assim generalizar os resultados. “Também planeamos estudar como aprendemos a detectar melhor pessoas doentes”, salienta. Já agora, conseguiu acertar qual é a pessoa doente nas fotografias? 

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