Twitter vai mostrar quem paga publicidade

Depois de encontrar propaganda russa escondida em anúncios na rede social, o Twitter criou um novo centro de transparência para publicidade.

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A nova política não afecta anúncios que não mencionem um candidato Reuters/Kacper Pempel

O Twitter vai ter um novo “centro de transparência” que mostra quem pagou a publicidade que os utilizadores estão a ver. Se o anúncio for político, referir um candidato específico, e se se estiver a aproximar uma ida às urnas, virá com um ícone a identificar que se trata de conteúdo eleitoral.

Para já, a novidade limita-se aos Estados Unidos, onde começa a apertar-se o cerco às notícias falsas. No início de Outubro – juntamente com o Facebook e o Google –, a rede social foi acusada pelo Senado norte-americano de disseminar propaganda russa escondida sob a forma de anúncios no Twitter durante as eleições norte-americanas de 2016.

Num comunicado publicado esta terça-feira, o Twitter agradece ao Senado “a antevisão em alertar para os problemas”. Após revelações de que o Facebook terá exibido mais de três mil publicações com origem na Rússia e o objectivo de manipular as eleições americanas, o Twitter cruzou dados dos responsáveis e descobriu um problema semelhante na sua plataforma. Cerca de 200 contas foram eliminadas do site no seguimento da investigação da empresa. Um mês antes, porém um grupo de política pública em Washington seguiu um número três vezes maior de contas no Twitter – utilizadores humanos e bots – envolvidos em esquemas russos.

A nova política do Twitter também não afecta anúncios políticos que não mencionem um candidato específico. Por exemplo, uma polémica mensagem recente do grupo conservador Secure America Now – que criticava a vinda de refugiados para os Estados Unidos para promover políticas anti imigração – não seria alvo do mesmo escrutínio.

“Actualmente, não há nenhuma definição clara de ‘anúncios problemáticos’, mas vamos continuar a trabalhar com as empresas do nosso sector, líderes da indústria, legisladores, e parceiros de publicidade, para os definir rapidamente”, esclarece Bruce Falck, o responsável pelas receitas e produtos do Twitter, no comunicado.

A 19 de Outubro, um grupo bipartidário de senadores norte-americanos propôs legislação que “requere que plataformas digitais com pelo menos 50 milhões de utilizadores mensais mantenha um ficheiro público de todos os anúncios eleitorais comprados, ou de grupos que invistam mais de 500 mil dólares em publicidade na plataforma.”

De acordo com Falck, o novo centro “vai oferecer a todos visibilidade sobre quem está a pôr publicidade no Twitter, detalhes por detrás nos anúncios, e ferramentas para partilharem a sua opinião".

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