Em Faro, Costa celebra sucessos passados e aponta metas futuras

Na festa da Pontinha, o líder do PS vai festejar o que vê como sucessos do Governo e lançar as apostas para a fase que se inicia em 2018.

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A Festa do Verão do PS realiza-se este sábado na Pontinha Nuno Ferreira Santos

Quando, este sábado à noite, usar o microfone para encerrar a Festa de Verão do PS, a chamada Festa da Pontinha, na Praça da Liberdade, em Faro, António Costa falará na qualidade de secretário-geral dos socialistas, mas o seu discurso vai servir para festejar os louros do sucesso dos seus dois primeiros anos como primeiro-ministro e também para lançar os desafios e as prioridades que o Governo pensa ter pela frente até às legislativas de 2019.

Antes de António Costa, tomarão o palco o candidato do partido à Câmara de Faro, António Eusébio; o presidente do PS, Carlos César; Afonso Dias, que cantará Zeca Afonso; e o rapper Boss AC, a segunda estrela do evento, exceptuando o secretário-geral do PS. A festa terá animação musical, danças populares, tasquinhas e intervenções políticas.

Ao que o PÚBLICO apurou, António Costa vai centrar o seu discurso nos desafios de médio prazo que permitirão projectar e estruturar o próximo quadro de fundos europeus para o ciclo 2020-2027, para cuja negociação, aliás, já apelou a um “amplo consenso” enquanto primeiro-ministro, propondo uma posição negociada que envolva o PSD, e não apenas parceiros da maioria parlamentar de esquerda, BE, PCP e PEV.

No discurso da Pontinha, que se realiza em cima das negociações orçamentais (a conversa com o Bloco de Esquerda foi adiada para dia 29, mas PCP e PEV já se reuniram com o Governo), António Costa partirá para a definição do próximo ciclo de governação salientando o papel central do Orçamento de Estado para 2018, que representará o momento de fechar a primeira fase e o arranque da segunda fase da governação. Este orçamento simbolizará precisamente essa passagem de um primeiro ciclo de dois anos, caracterizado pela meta da reposição do poder de compra dos portugueses, anteriormente cortado pela intervenção da troika e pelas opções do Governo PSD-CDS.

Como últimas etapas desse ciclo surgem o início da reposição gradual da progressão das carreiras da função pública e a reposição de cinco escalões do IRS, como o PÚBLICO já noticiou. Mas o Governo apostará também, no próximo ano, num aumento do investimento no sector da saúde e da educação, como a esquerda tem reivindicado.

Defendendo o que considera ser o sucesso da sua governação, António Costa não deixará de lembrar a retoma do crescimento económico nos últimos trimestres, usando como prova os números mais recentes do Instituto Nacional de Estatística. Um crescimento sustentado ao longo de nove meses, que atingiu no segundo trimestre deste ano os 2,8% do PIB, o que permite prever que no final de 2017 se atinja uma taxa de crescimento na ordem dos 2,5%, bem acima dos 1,5% previstos pelo Governo no Orçamento deste ano e dos 1,8% inscritos em Abril no Programa de Estabilidade.

Prometida por António Costa será a continuação das políticas do Governo que são consideradas a base do crescimento económico e da diminuição do desemprego. Mas o líder do PS deverá referir-se também aos desafios do próximo ciclo e à necessidade de lançar políticas a médio e longo prazo para garantir a consolidação futura do crescimento. Isto entrelaça-se com a necessidade já defendida por António Costa de preparação do quadro de fundos comunitários para o período entre 2020 e 2027.

O PS quer encher a Praça da Liberdade, em Faro, e para isso disponibilizou um comboio entre Braga e Faro, com paragens no Porto, em Aveiro, Coimbra, Pombal, Entroncamento, Vila Franca de Xira, Lisboa, Pragal e Pinhal Novo, a partir das 11h. "Para as federações não abrangidas por este comboio o partido disponibiliza autocarros como alternativa, caso o número de inscrições assim o justifique", informa o PS.

Foi nesta praça que em 1995, a meses das eleições autárquicas, António Guterres subiu ao palco para animar as hostes socialistas em Faro, rivalizando com o PSD, que à mesma hora se reunia na sua tracicional Festa do Pontal, a poucas centenas de metros dali.