CDS ainda hesita quanto à moção de censura

Cristas não terá discutido iniciativa em reunião do núcleo duro. No PSD há quem veja a medida como improvável porque contraproducente.

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Assunção Cristas visitou ontem a zona afectada pelos fogos de meados de Junho LUSA/PAULO CUNHA

A hipótese de o CDS avançar com uma moção de censura ao Governo já no debate do Estado da Nação, na próxima quarta-feira, foi falada no núcleo duro do partido, mas não discutida em profundidade, apurou o PÚBLICO.

A iniciativa política está longe de ser consensual internamente, e ainda mais por ter sido noticiada pelo Expresso do passado sábado. Na reunião da comissão executiva da passada sexta-feira, a moção de censura foi abordada, mas não terá sido discutida com profundidade e muito menos foi dada como certa pela líder do partido. Assunção Cristas tem vindo a endurecer as críticas ao Governo e já pediu a demissão de dois ministros, a da Administração interna e o da Defesa.

Os sociais-democratas receberam a notícia com alguma desvalorização. Na bancada do PSD há quem duvide que a moção de censura do CDS se concretize. “Um disparate” e “um tiro no pé”, criticou na SIC o comentador Luís Marques Mendes. O ex-líder do PSD considerou que, se a iniciativa “for a sério, é porque querem a queda do Governo, o que é uma irresponsabilidade a meses das autárquicas e com o rating a sair do lixo”. No seu espaço de comentário no domingo, Marques Mendes considerou que, a confirmar-se a moção de censura, Cristas dá uma “ajuda enorme” ao primeiro-ministro: “António Costa, se fosse católico, neste momento estaria a rezar para que o CDS a apresentasse”. Uma referência a um dos riscos de uma moção de censura que não terá condições para ser aprovada: reforçar a coesão do Governo e da maioria parlamentar que o apoia – PS, BE, PCP e PEV. Tanto mais que os partidos à esquerda da bancada socialista têm optado por desvalorizar o momento político que o Governo atravessa.

Caso não se venha a concretizar no debate do Estado da Nação, a intenção de Assunção Cristas pode ser vista como um recuo. Esse é o receio de alguns democratas-cristãos que preferiam não ver o assunto noticiado na imprensa. Se a moção de censura for mesmo avante, o CDS terá que pedir uma reunião extraordinária da conferência de líderes para se poder marcar um plenário, já que o último estava agendado para dia 19 com outras matérias. À luz do regimento, o debate inicia-se no terceiro dia parlamentar subsequente à apresentação da moção de censura, o que apontaria para a próxima segunda-feira.

Para já, a linha oficial é que a líder do CDS aguarda pelas respostas do primeiro-ministro no debate de quarta-feira sobre os incêndios de Pedrógão Grande e do furto de armamento de Tancos. Já o caso Galpgate e a “baixa” de três secretários de Estado vieram engrossar as críticas dos centristas. O líder parlamentar, Nuno Magalhães, afirmou que o Governo se está a “desfazer”, a “cair aos poucos”. A líder do CDS aproveitou ontem para reiterar o pedido de demissão dos dois ministros. Chegará para uma censura ao Governo?

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