Filho de Trump encontrou-se com advogada russa sob promessa de informações sobre Clinton

Na reunião estiveram também presentes Jared Kushner e o então director de campanha de Trump, Paul Manafort.

À direita, Donald Trump Jr., o filho mais velho de Trump
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À direita, Donald Trump Jr., o filho mais velho de Trump Reuters/SHANNON STAPLETON/ARQUIVO

É mais uma peça no caso da ingerência russa nas eleições presidenciais norte-americanas de 2016, e é uma peça potencialmente importante. O New York Times noticia neste domingo que, durante a campanha eleitoral, foi prometida informação comprometedora sobre a candidata democrata Hillary Clinton a Donald Trump Jr. – o filho mais velho do milionário nova-iorquino que viria a ser eleito Presidente dos Estados Unidos em Novembro desse ano. A promessa foi feita antes de Trump Jr. concordar encontrar-se na Trump Tower, em Nova Iorque, com Natalia Veselnitskaya, uma advogada russa com ligações ao Governo de Vladimir Putin, e a reunião teve, de facto, lugar. A informação foi obtida junto de três conselheiros da Casa Branca informadas sobre a reunião e de duas outras fontes anónimas que tiveram conhecimento do encontro.

A existência desta reunião já tinha sido noticiada no sábado pelo New York Times, mas só neste domingo foi revelado o motivo do encontro. Na reunião estiveram também presentes Jared Kushner (cunhado de Donald Trump, marido de Ivanka) e o então director de campanha de Trump, Paul J. Manafort, ainda que o filho do Presidente garanta que estes desconheciam o assunto e o motivo do encontro. Foram precisamente Kushner e Manafort a confirmar a existência da reunião, de acordo com um documento governamental recente a que o NYT teve acesso.

O jornal nova-iorquino não confirma se a advogada russa cumpriu ou não a promessa de entregar a Trump Jr. informação relevante sobre Clinton. Ainda que as fontes entrevistadas pelo New York Times garantam que tudo aponta nesse sentido, o filho mais velho de Trump disse que Veselnitskaya não apresentou "qualquer informação relevante".

"As suas afirmações eram vagas, ambíguas e que não faziam sentido algum”, disse este domingo aquele membro do clã Trump num comunicado. "Não foi apresentado ou sequer oferecido nenhum pormenor ou informação complementar", acrescentou.

Mark Corallo, o porta-voz do advogado privado de Trump (Marc Kasowitz), disse este domingo que “o Presidente não esteve presente nem teve conhecimento" da reunião agora revelada.

Trump, recorde-se, tem repetido no Twitter que as acusações de conluio entre a sua campanha e a Rússia não passam de notícias “falsas”, e tem desvalorizado e contrariado as conclusões dos serviços secretos e de segurança norte-americanos, que apontam para uma vasta campanha de ingerência russa nas eleições presidenciais.

Trump demitiu o então director do FBI, James Comey, a 9 de Maio deste ano. Comey acredita que foi despedido devido à investigação sobre as ligações de Trump à Rússia, e garantiu numa comissão do Senado que o Presidente lhe pediu que encerrase a investigação ao seu ex-conselheiro para a Segurança Nacional, Michael Flynn.