O que sabemos até agora sobre a tragédia de Pedrógão Grande

Pelo menos 61 mortos confirmados no incêndio que atinge Pedrógão Grande e outros dois concelhos do distrito de Leiria.

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— Trovoadas secas, temperaturas altas e vento contribuíram para um incêndio que começou antes das três da tarde de sábado em Escalos Fundeiros. E que foi crescendo. Passava das duas horas da manhã deste domingo quando António Costa deu conta de que havia 24 mortos confirmados. Mais tarde, a contagem subiu para 25. Os balanços foram-se sucedendo, sempre com piores notícias. O último, confirmado pelo primeiro-ministro: 61 vítimas mortais. “Esta é seguramente a maior tragédia que temos vivido”, disse Costa na sede da Protecção Civil, em Carnaxide, ainda de madrugada. Foi decretado luto nacional nos dias 18, 19 e 20 de Junho. Haverá pelo menos 150 desalojados. O presidente da União das Misericórdias, Manuel Lemos, disse à Lusa que, com base nas informações dos diversos órgãos de comunicação social, o número de desalojados pode chegar aos 250.

— Neste domingo de manhã, o director nacional da Polícia Judiciária afirmou à Lusa que o incêndio que deflagrou no sábado no concelho de Pedrógão Grande teve origem numa trovoada seca, afastando qualquer indício de origem criminosa. “A PJ, em perfeita articulação com a GNR, conseguiu determinar a origem do incêndio e tudo aponta muito claramente para que sejam causas naturais. Inclusivamente, encontrámos a árvore que foi atingida por um raio”, disse Almeida Rodrigues. “Conseguimos determinar que a origem do incêndio foi provocada por trovoadas secas.”

— Entre as vítimas mortais estão pelo menos 30 pessoas que morreram dentro das viaturas ou foram apanhadas pelas chamas perto dos carros, na estrada, entre Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pêra. Três morreram por inalação de fumos, junto a um cemitério. Havia ainda ao princípio desta tarde 59 feridos, 18 transportados para hospitais em Lisboa, Porto e Coimbra, cinco em estado grave. 

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— Marcelo Rebelo de Sousa esteve em Pedrógão Grande, onde, além de deixar uma “palavra de ânimo, de solidariedade, de confiança e de conforto” defendeu a actuação da Protecção Civil. “O que se fez foi o máximo que era possível fazer. Não era possível fazer mais”, disse, acrescentando que os bombeiros foram “verdadeiros heróis”. “Não há nem falta de competência, nem falta de capacidade, nem falta de imediata resposta perante desafios difíceis”, afirmou.

— Durante a noite foram chegando ao concelho grupos de combate a incêndios dos distritos de Setúbal, Évora e Lisboa. Rui Esteves, o comandante operacional nacional da Autoridade Nacional de Protecção Civil explicava, pelas duas da manhã, que não fora possível um reforço de meios mais forte mais cedo por causa do número de incêndios em todo o país (156, segundo afirmou António Costa de madrugada).

— Questionado sobre o assunto, Rui Esteves garantiu também que, apesar das falhas nas comunicações, os bombeiros estiveram sempre contactáveis. À mesma hora, a EDP tentava repor a electricidade no concelho com recurso a oito geradores.

— “Estou convencido de que o número de mortos vai ser mais do dobro”, afirmou o presidente da Câmara de Pedrógão Grande, Valdemar Alves, ao princípio da madrugada. Horas antes de se saber que o fogo seria mortal, declarara ter falta de meios para acorrer às aldeias que estavam em “muito perigo” e pedira mais bombeiros para o combate. As vítimas mortais, admitiu, “serão do concelho”; outras poderão ser visitantes.

— Dois pelotões de militares, “que são muito importantes também para as operações de rescaldo”, deverão neste domingo reforçar os meios no concelho, explicou a ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, que também se deslocou a Pedrógão Grande. Neste domingo de manhã chegam ainda dois Canadair de Espanha, que vão juntar-se aos meios aéreos portugueses. No terreno, estão equipas da PJ e do Instituto Nacional de Medicina Legal com o objectivo de identificar as vítimas mortais.

— “O momento é de concentrarmos todos os nossos esforços no combate às chamas”, disse Constança Urbano de Sousa. Numa fase posterior, “será feita uma avaliação sobre o que correu bem, o que não correu, o que aconteceu”.

— O secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes – o primeiro no terreno a dar a notícia de que havia mortos –, anunciou que foi declarado o plano de emergência distrital. “Em nome do Governo, desde já, endereço às famílias o nosso pesar e o nosso lamento pelo que aconteceu. Isto não tem resposta. Estamos todos consternados com o que está acontecer e queremos acabar com tudo isto depressa.”

— Passos Coelho, líder do PSD, afirmou que o que se passou foi “uma tragédia muito grande”. “Tivemos noção da proporção dessa tragédia há muito pouco e não quis deixar, mesmo num dia que era um dia de festa aqui para nós, de endereçar a todas as famílias enlutadas a nossa solidariedade”, admitiu Passos Coelho durante uma sessão de apresentação do candidato do partido à autarquia de Ansião.

—  “Em profundo choque, perante a tragédia que se vive no distrito de Leiria, expresso o meu pesar pelas vítimas mortais e a minha total solidariedade para com as famílias atingidas”, disse também a presidente do CDS/PP, Assunção Cristas.

— Por volta das três da madrugada, a situação em Figueiró dos Vinhos era descrita como “caótica” devido ao avanço do incêndio de Pedrógão: “Há diversas povoações a arder em todo o concelho e as chamas estão a cercar a vila”, disse à Lusa a vereadora Marta Fernandes. O incêndio estava a ser combatido unicamente pelos bombeiros locais e pelos moradores das zonas afectadas, uma vez que as corporações dos concelhos vizinhos estavam na linha da frente do combate ao incêndio em Pedrógão Grande.

— Pouco depois das quatro da manhã, o incêndio continuava com quatro frentes activas, era combatido por 593 operacionais, apoiados por 191 viaturas. Várias estradas estavam cortadas em Leiria, Coimbra e Vila Real.

— Ao princípio da tarde deste domingo, António Costa declarou que existem zonas do terreno ainda inacessíveis devido ao incêndio que continua a lavrar com violência. Novamente questionado sobre as causas do incêndio, António Costa repetiu que “chegará o momento de os técnicos apurarem o que aconteceu”. “Concentremo-nos no que está ao nosso alcance”, apelou. O primeiro-ministro referiu que estão confirmados, até ao momento, 61 mortos.