Afinal ainda não há acordo fechado para novo governo britânico

Conservadores e unionistas continuam a negociar, ao contrário do que disse Theresa May no sábado.

Arlene Foster, líder dos unionistas irlandeses, provável parceiro dos consevradores
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Arlene Foster, líder dos unionistas irlandeses, provável parceiro dos conservadores Reuters/STRINGER

O acordo para a formação de um governo com maioria parlamentar simples em Inglaterra foi anunciado no sábado à noite, mas as negociações estão longe de estarem fechadas. A imprensa britânica dá conta, neste domingo de manhã, que o Partido Conservador de Theresa May (os tories) e os unionistas irlandeses continuam a negociar os termos desse acordo que, segundo o ministro da Defesa, Michael Fallon, deve aplicar-se apenas nas "grandes questões", como a economia e a segurança.

Como se a divisão interna no partido de May não bastasse, os adversários da primeira-ministra não largam o resultado das eleições da quinta-feira, a começar pelo líder trabalhista, Jeremy Corbyn, que neste domingo veio a público vaticinar que o Reino Unido deve voltar às urnas ainda em 2017.

O acordo entre os tories e os irlandeses unionistas do DUP foi anunciado sábado à noite, no mesmo dia em que se demitiram os dois chefes de gabinete da primeira-ministra britânica – Nick Timothy e Fiona Hills. Só que, como diz boa parte dos jornais ingleses neste domingo, "está instalada a confusão".

Isto porque o DUP emitiu no sábado à noite um comunicado, pouco depois de Downing Street ter anunciado o acordo entre os dois partidos, em que basicamente contradiz Theresa May, como salienta o jornal londrino The Guardian. "O DUP travou o anúncio [do acordo] dizendo que continuava em negociações. Arlene Foster, líder dos unionistas irlandeses, disse que "as discussões vão continuar na próxima semana, para trabalhar os detalhes e fechar um acordo".

Os conservadores ganharam as eleições gerais de quinta-feira, mas perderam a maioria absoluta que detinham em Westminster – o cenário oposto ao que pretendia a primeira-ministra britânica, antes do arranque das negociações do "Brexit". O desfecho levou já às duas demissões no gabinete de May e levantou um coro de vozes críticas dentro e fora do partido.

O primeiro a considerar que May não tem condições para continuar foi, sem surpresa, o principal adversário da primeira-ministra, o trabalhista Jeremy Corbyn. Segundo a BBC, Corbyn diz, numa entrevista no diário Daily Mirror, que ele ainda julga poder vir a ser primeiro-ministro. "É bastante provável" que haja novas eleições ainda no presente ano, disse Corbyn, alegando que não vê pontos comuns entre conservadores e unionistas irlandeses. Uma ideia que repetiu horas mais tarde em declarações à BBC.

Mas os adversários políticos não são os únicos a pôr em causa o futuro político de May e do seu novo governo. Ex-titular das finanças e membro do partido de May, George Osborne é uma das vozes críticas no reino tory. Em declarações à BBC, comparou May a uma "mulher morta que ainda caminha" ["May is a dead woman walking"]. 

O conflito interno não fica por aí: o apoio dos dez deputados unionistas da Irlanda do Norte não é consensual dentro do próprio Partido Conservador, já que o DUP é considerado ainda mais conservador do que os próprios tories — opõe-se ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e ao aborto e tem revelado cepticismo em relação ao problema das alterações climáticas, por exemplo.

Os conservadores conquistaram 318 lugares no novo parlamento, menos oito do que os necessários para garantir uma maioria absoluta, segundo os resultados das eleições antecipadas de quinta-feira. Os trabalhistas conseguiram 262 assentos, mais 30 do que no sufrágio anterior.