PS, BE e PCP querem acabar com a comissão de inquérito à CGD

Esquerda quer fazer mais 4 audições e terminar os trabalhos do inquérito parlamentar.

LUSA/ANTÓNIO COTRIM
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LUSA/ANTÓNIO COTRIM

Os três partidos da esquerda parlamentar juntaram-se esta sexta-feira para defender o fim mais rápido da Comissão de Inquérito à gestão da CGD. Na reunião de coordenadores que aconteceu na manhã desta sexta-feira, o PS, o Bloco de Esquerda e o PCP opuseram-se a outras audições que não sejam as de Nogueira Leite, Álvaro Nascimento e representantes do Tribunal de Contas e da Inspecção-Geral das Finanças.

A comissão de inquérito ao banco tinha sido prolongada por mais 60 dias na semana passada. De acordo com informações a que o PÚBLICO teve acesso, os três partidos querem fazer estas audições mesmo antes de o Parlamento receber os documentos que tinha pedido às autoridades, impedindo assim que a documentação chegue aos deputados, uma vez que a comissão de inquérito deixa de existir.

PSD e CDS ainda têm a possibilidade de chamar potestativamente mais dez pessoas (oito o PSD e 2 o CDS), entre as quais estará Armando Vara. O CDS anunciou uma conferência de imprensa contra o que classificou como "um boicote da esquerda" à comissão parlamentar de inquérito.

Fonte presente na reunião contou ao PÚBLICO que o argumento da esquerda para terminar os trabalhos é que não há novas informações nem novos factos. De qualquer forma, ficou definido que o assunto será debatido no plenário de deputados desta comissão da próxima quinta-feira.

CDS acusa esquerda de boicote

Para os centristas, a decisão dos três partidos da esquerda é um “boicote” ao funcionamento da Comissão de Inquérito à gestão da CGD. O deputado do CDS, João Almeida, acusou o PS, PCP e BE de quererem “terminar a comissão antes que se conheçam os documentos” que a Assembleia pediu à CGD, Banco de Portugal e CMVM e que o Tribunal da Relação

O partido diz que vai chamar potestativamente (tem dois pedidos para usar) Armando Vara, que foi administrador da CGD durante parte do governo de José Sócrates, e o ministro das Finanças, Mário Centeno.

Aos jornalistas, João Almeida contou que a justificação utilizada pelos partidos da esquerda foi que “as audições até aqui foram esclarecedoras” sobre a situação da Caixa. Justificação que não colhe à direita: “Se não houvesse nada a temer, deixariam que a comissão de inquérito continuasse”.