Dois anos a tentar vender o Novo Banco

Quando foi suspenso o primeiro processo de venda o optimismo reinava no Banco de Portugal. Dos então concorrentes, apenas o fundo Apollo se mantém na corrida.

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Negociações com interessados no Novo Banco vão continuar, segundo o comunicado do Banco de Portugal, liderado por Carlos Costa dro daniel rocha

O impasse no processo de venda do Novo Banco não é o primeiro revés na tentativa de retirar aquela instituição do domínio do Fundo de Resolução.

A primeira tentativa começou há já mais de dois anos, a 4 de Dezembro de 2014, com o anúncio formal do processo de venda. O objectivo era claro: vender o Novo Banco e apesar de não haver uma data limite para a efectivação da alienação, a data apontada pela instituição liderada por Carlos Costa era o final do segundo trimestre de 2015.

A história veio mostrar, no entanto, outra realidade. O processo desenrolou-se como previsto, em quatro fases, e na final, tal como agora, chegou-se a três concorrentes: o fundo norte-americano Apollo, que ainda se mantém na corrida ao Novo Banco (e que entretanto comprou a seguradora Tranquilidade e a Açoreana); os chineses da Fosun, (que entretanto se tornaram no maior accionista do BCP), e o grupo segurador chinês, Angbang Insurance Group.

Mas no final do primeiro semestre o processo não estava concluído e acabaria mesmo por ser suspenso a 15 de Setembro. “O Conselho de Administração do Banco de Portugal optou por interromper o processo de venda da participação do Fundo de Resolução no Novo Banco, iniciado em 2014, e concluir o procedimento em curso sem aceitar qualquer das três propostas vinculativas”, lia-se no comunicado do Banco de Portugal.

Apesar da suspensão, o clima não era de pessimismo. E a instituição liderada por Carlos Costa lembrava mesmo que “o processo de venda comprovou a atractividade do Novo Banco e demonstrou inequivocamente a existência de sério interesse na aquisição da participação accionista”. Mais, Carlos Costa sublinhava que o trabalho realizado e os progressos na actividade do Novo Banco “irão facilitar os passos seguintes e permitir encontrar uma estrutura accionista de base privada num prazo relativamente curto após o relançamento do processo”.

O processo de venda acabaria por ser relançado em Março de 2016 e ainda decorre. Pelo meio o Banco de Portugal contratou o antigo secretário de Estado no Governo de Passos Coelho, Sérgio Monteiro, para conduzir a venda do banco.