Yahoo espiou emails dos clientes a pedido dos serviços secretos dos EUA

A gigante norte-americana concebeu um programa para procurar palavras específicas nos emails, avança a Reuters. A empresa diz que “cumpre a lei”.

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Marissa Mayer é a presidente da Yahoo, que diz ser uma empresa "cumpridora da lei" Reuters/ELIJAH NOUVELAGE

A Yahoo concebeu um programa para espiar os emails de centenas de milhões de clientes, em tempo real, a pedido dos serviços secretos norte-americanos, noticia a Reuters nesta terça-feira. A gigante norte-americana concebeu um software para pesquisar informações específicas na correspondência de todos os seus clientes, seguindo orientações da National Security Agency (NSA) e do FBI, denuncia a agência noticiosa, citando informações recolhidas junto de dois ex-trabalhadores da Yahoo e uma terceira pessoa conhecedora do assunto.

Na origem da actuação da empresa presidida por Marissa Mayer estará uma directiva governamental secreta que foi enviada à empresa no ano passado. Segundo alguns especialistas em serviços de vigilância ouvidos pela Reuters, este é o primeiro caso a vir a público de uma companhia de Internet que aceita monitorizar todas as mensagens electrónicas novas que os seus clientes recebem, em vez de examinar mensagens armazenadas ou apenas um número específico de contas de email em tempo real. 

Não é conhecido o tipo de informação procurada pelos serviços secretos, mas sabe-se que pretendiam que o Yahoo detectasse um conjunto particular de caracteres. Assim, segundo as fontes ouvidas pela Reuters, poderia estar em causa uma frase num email ou um anexo de mensagem. Segundo a notícia, não se conseguiu determinar se a Yahoo chegou a entregar às autoridades algum tipo de informação e se o mesmo tipo de pedido terá sido feito pela NSA e pelo FBI a outras empresas.

De acordo com os antigos empregados da Yahoo, a decisão de Marissa Mayer de cumprir a directiva causou tensão entre a administração da empresa e motivou a saída do responsável pela segurança da informação, Alex Stamos, em Junho do ano passado.

Stamos, que actualmente ocupa estas funções no Facebook, escusou-se a fazer declarações à Reuters. Já a Yahoo respondeu com uma breve mensagem onde afirma que “é uma empresa cumpridora e respeita as leis dos Estados Unidos”. A NSA remeteu qualquer esclarecimento para o gabinete do Director of National Intelligence, que recusou comentar. 

As fontes ouvidas pela Reuters explicaram que a directiva governamental chegou ao departamento legal da Yahoo como sendo “secreta”. Alguns especialistas ouvidos admitem que é bastante provável que os serviços secretos tenham feito o mesmo pedido a outras empresas. Contactadas pela Reuters, empresas como a Google e a Microsoft, duas das empresas com os mais populares serviços de email mundiais, escusaram-se a responder às questões.