Reportagem

Fácil, básica, acessível. Assim foi a prova de aferição de Português

Estudantes do 2.º, 5.º e 8.º ano deram nesta segunda-feira início à temporada de provas e exames nacionais.

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Da primária ao secundário, o Agrupamento de Escolas Clara de Resende funcionou nesta segunda-feira a meio gás Rui Farinha/NFactos
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Maria não tem dúvidas: “Era muito parecido com o exame do 4.º ano.” Beatriz concorda: “Parecia mais uma prova de cruzinhas do que uma prova de Português.” Maria e Beatriz são dois dos quase 175 mil alunos que esta manhã realizaram a prova de aferição de Português do 5.º ano. E a escola que frequentam, a EB 2,3 Clara de Resende, no Porto, foi uma das 2800 escolas de todo o país que escolheram realizar estas provas.

Ambas estão a contar com boa nota na prova desta segunda-feira. “Era mesmo fácil”, diz Maria. E Beatriz completa: “Básica, mesmo.”

A Joana e o Guilherme também acharam que a prova era muito fácil, por não ter saído “quase nada de gramática”. A opinião é unânime entre os mais de 160 alunos que a partir das 10h30 desta segunda-feira se sentaram com a prova de aferição à sua frente.

Guilherme acha mesmo que “até se fazia aquilo no 4.º ano”. Mas a professora Isabel, coadjuvante na prova de português, é mais cautelosa: “Era uma prova acessível, que tinha muito a ver com aquilo que demos nas aulas, mas exigia muita, muita concentração.” A professora destaca que, “nestas idades, esse é o problema maior”.

A prova incluía a interpretação de dois textos, entre eles um excerto de A Floresta, de Sophia de Mello Breyner, um exercício de escrita narrativa e exercícios de gramática. Foi aqui que o vocativo e a pronominalização dos verbos podem ter sido as armadilhas da prova, destaca a professora.

Também na prova de aferição do 8.º ano, que começou às 14h30, o optimismo reinava entre os alunos. As amigas Carlota, Rita, Catarina e Ana acharam a prova muito acessível e mesmo as maiores dificuldades na gramática não as surpreenderam. A prova incluía compreensão oral após assistirem a um excerto de um documentário televisivo, um pequeno texto científico e uma parte d’A Odisseia de Homero adaptada para jovens, de Frederico Lourenço.

“Não conta para a nota”

A novidade deste ano é a avaliação da compreensão oral da língua portuguesa. Uma estreia nas provas de aferição bem recebida pelos alunos. “Podíamos realizar mais vezes, correu muito bem”, diz Beatriz.

“Por mim, é-me igual fazer a prova ou não, porque não conta para nota”, diz Joana, numa opinião que é partilhada por muitos dos seus colegas. Se, por um lado, a expectativa dos professores é grande, por outro os alunos desvalorizam uma prova que conta apenas para conhecer as suas dificuldades às principais disciplinas. As escolas e os encarregados de educação vão receber um relatório detalhado com informações sobre o desempenho dos estudantes aferidos neste teste. E só a partir do próximo ano lectivo é que as provas de aferição passam a ser obrigatórias para estes alunos em meio de ciclo (2.º 5.º e 8.º ano).

Também a prova de Português do 2.º ano era “acessível, dentro daquilo que se preparou”, descreve a professora Fátima, que foi coadjuvante nesta segunda-feira. A professora do 1.º ciclo destaca alguns termos “que precisavam de uma explicação adicional”. Também as perguntas podiam ser mais directas e adequadas às crianças de sete anos, aponta a docente, repetindo uma crítica várias vezes feita no âmbito de provas e exames nacionais.

PÚBLICO -
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A professora não acredita que nesta prova se veja uma grande diferença entre aquilo que é avaliado nas aulas e nos testes de cada turma. Isabel diz o mesmo sobre a prova do 5.º ano. “A experiência diz-me que os resultados não são assim tão distantes.” A docente acredita, no entanto, que este modelo deve ser seguido. “Quanto mais cedo se habituarem, mais descontraídos vão para os próximos exames”, acredita.

“Isto não é pelos rankings

Da primária ao secundário, o Agrupamento de Escolas Clara de Resende funcionou nesta segunda-feira a meio gás. Os estudantes do 3.º, 6.º e 7.º ano não tiveram aulas dada a impossibilidade de ter professores disponíveis para vigiar, coadjuvar e fazer o secretariado das provas. Ao todo, entre professores e funcionários, 42 pessoas estavam destacadas.

O subdirector admite que a realização destas provas “causa alguns constrangimentos”. Na semana em que os professores reúnem para atribuir as notas do 9.º, 11.º e 12.º, que a partir da próxima semana vão a exames nacionais, a logística tornou-se mais complicada.

Este ano, as provas de aferição de meio de ciclo são realizadas apenas pelas escolas que as quiseram fazer. A decisão coube aos directores e 57% das escolas inscreveram-se para realizar as provas do 2.º, 5.º e 8.º ano. Entre o sim e o não, a EB 2,3 Clara de Resende acabou por dizer que sim, “porque o ministério nos garantiu que poderíamos aferir o conhecimento dos alunos”, explica Álvaro Maia. Segundo o subdirector, interessa a pais e professores conhecer o que sabem as crianças. “Isto não é pelos rankings, mas pautamo-nos pelo sucesso dos nossos alunos.”

Mas esta segunda-feira foi um dia diferente. “Não vale a pena dizer que não, que é só um teste. Isto é como um exame”, continua o subdirector da escola. As turmas são divididas e quem está ao lado já não é o parceiro habitual de carteira. Numa ala reservada só para a realização das provas, os alunos dividiram-se por dez salas, por ordem alfabética. “As nossas turmas têm 28 alunos, em cada sala só podemos ter 20, por isso este pareceu-nos o melhor modelo”, explicou Álvaro Maia ao PÚBLICO.

Joana não estranhou as mudanças: “Eu conhecia metade das pessoas que estavam comigo, não me deixou nervosa.” Mas, para Guilherme, a história mudou de figura quando viu que o ambiente na escola mudara: “A minha sala é a 27, eu estive na 22 e os colegas não eram os mesmos.” A diferença é que este ano a professora vigilante podia ser quem os acompanha nas aulas. Mas o protocolo de entrega das provas e “todo aquele preencher do cabeçalho” também ajudou a que os nervos de Guilherme estivessem mais à flor da pele.

“Esta é daquelas experiências que provoca mais stress aos pais do que às crianças”, acredita a professora Fátima. À entrada da EB 2,3, os encarregados de educação esperam as crianças na expectativa de saber como correu a prova.

Está iniciada a temporada de provas nacionais na Educação, que na próxima semana entre numa etapa decisiva com a realização dos exames nacionais do 9.º ano e ensino secundário (11.º e 12.º), que se estende até 22 de Julho. Na próxima quarta-feira, aferem-se os conhecimentos a Matemática. As amigas Maria e Beatriz já não estão tão certas quanto a esta prova: “Estamos à espera de pior nota do que a Português.” Como mais de metade dos alunos a nível nacional, a Matemática é o seu calcanhar de Aquiles.

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