Direcção de topo do PS será eleita dia 15

Este domingo, o Congresso elege a Comissão Nacional. Há duas listas em concurso: a de António Costa e a de Daniel Adrião.

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A oposição a António Guterres tem pouco apoio Nuno Ferreira Santos

O critério é simples: quem entra nas listas de candidatos à comissão nacional do PS não integrará nem a Comissão Política do partido nem sequer o Secretariado Nacional. Desta forma, o secretário-geral dos socialistas conseguira contemplar mais pessoas e logo mais sensibilidades internas e mais quotas regionais na constituição dos novos órgão de direcção do partido.

A lista apoiada por António Costa estava ainda a ser composta sábado à noite. E o silêncio era absoluto. Oficial era já o facto de Francisco Assis ficar e fora da Comissão Nacional. Como o próprio fez questão de declarar à entrada no pavilhão da FIL, recusou qualquer lugar na nova direcção e manteve assim uma absoluta distância crítica em relação à liderança de António Costa. O PÚBLICO sabe que Ana Catarina Mendes é a número um na lista da Comissão Nacional e o ex-ministro da Saúde Correia de Campos é o número dois.

Quem é quem no PS

Sérgio Sousa Pinto, que rompeu com António Costa e se demitiu do Secretariado, durante o processo de constituição do Governo, deverá fazer parte da Comissão Nacional, mantendo-se assim no órgão mais abrangente de direcção, mas com alguma distância crítica em relação aos órgãos executivos.

Quanto aos membros da sensibilidade crítica de António Costa, que integra os herdeiros da direcção do ex-líder, António José Seguro, as negociações foram feitas por antecipação. Assim, na lista da Comissão Nacional deverá surgir o antigo membro do Secretariado de Seguro, Álvaro Beleza.

Igualmente o antigo membro do Secretariado de Seguro, o actual deputado Eurico Brilhante Dias, que se tem destacado na Assembleia da República, como relator da Comissão de Inquérito ao Banif indicado pela direcção do grupo parlamentar do PS, deverá ser convidado por António Costa a integrar o Secretariado Nacional.

Embora só perto do dia 15 de Junho fiquem fechadas as listas à Comissão Política e ao Secretariado, há expectativa entre alguns socialistas de que sejam promovidos à direcção máxima, nomeadamente ao Secretariado, figuras como José Luís Carneiro, ex-líder da federação do PS-Porto e actual secretário de Estado das Comunidades.

Candidata à Comissão Nacional existe uma segunda lista, a encabeçada por Daniel Adrião, que se candidatou a secretário-geral do PS para assim poder participar no debate do Congresso com uma moção de estratégia global, embora não tivesse nunca posto em causa durante o conclave e os trabalhos preparatórios nenhuma crítica à estratégia de António Costa.