Para Carlos Costa as críticas de António Costa foram “um pequeno incidente”

Em entrevista ao Expresso, o governador do BdP falou ainda da venda do Novo Banco e dos lesados do GES.

O Governo designou Carlos Costa para um novo mandato de cinco anos à frente do regulador
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O Governador do Banco de Portugal esteve ontem reunido com o Presidente da República Miguel Manso

“Não tem [consequência] nenhuma”, afirma Carlos Costa, em entrevista ao jornal Expresso deste sábado a propósito das críticas do primeiro-ministro dirigidas à sua acção como Governador do Banco de Portugal (BdP).

António Costa lamentou “a forma como a administração do Banco de Portugal tem vindo a arrastar uma decisão” sobre os lesados do BES, dizendo que este está a impedir uma “solução proposta pelo Governo e aceite pela maioria dos lesados do BES”. As críticas ao BdP sucederam-se por parte de dirigentes do PS bem como dos outros partidos de esquerda representados na Assembleia da República.

Questionado acerca da possibilidade de se demitir, Carlos Costa recusa essa hipótese. “Seria curioso que qualquer pequeno incidente determinasse uma perda de vontade de alcançar os objectivos que tenho de prosseguir”, declarou ao semanário, concluindo que isso “seria obviamente atribuir um significado que não tem a uma declaração”.

“Podemos ter visões nem sempre coincidentes, mas desde que isso seja norteado de um lado e do outro pelo bem público...”, concluiu Costa a propósito de um possível ambiente de desentendimento entre o Governo e o BdP.

Na entrevista, governador falou também acerca do Novo Banco,  cuja administração anunciou esta semana ter um prejuízo de quase mil milhões de euros e que vai despedir 500 trabalhadores. Segundo Carlos Costa não serão os contribuintes a pagar a venda do Novo Banco, mas sim os outros bancos do sistema.

A propósito da discussão sobre a nacionalização do Novo Banco, sugerida esta semana por Vítor Bento, Costa remete para o Governo essa responsabilidade defendendo que essa questão está “fora do mandato do governador do Banco de Portugal”.

Acerca dos resgates que, nos últimos anos, foram pagos pelos contribuintes, Carlos Costa afirmou com ironia: “Se me der um endereço na lua para o qual se possa enviar a factura, eu mando”.

Questionado sobre a solução para os lesados do papel comercial, o governador disse que os clientes têm razão para se queixar da ESI e da Rioforte, tendo "todo o direito a serem ressarcidos pela massa falida". Contudo, deixou claro que cabe à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) decidir. "A única lei de que dispomos para este feito é o Código dos Valores Mobiliários, que diz que em casos de venda abusiva a autoridade de mercado pode reverter a operação. Não pode ser o Banco de Portugal".