Miguel Relvas na lista de accionistas da empresa que comprou o Efisa

Banco de Portugal terá de certificar se o ex-ministro dos Assuntos Parlamentares pode ser accionista do antigo banco de investimento do BPN.

O pedido de avaliação de Miguel Relvas deu entrada esta quarta-feira no Banco de Portugal
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O pedido de avaliação de Miguel Relvas deu entrada esta quarta-feira no Banco de Portugal Miguel Manso

O ex-número dois de Pedro Passos Coelho e ex-ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, vai integrar a lista de accionistas da Pivot, a sociedade que adquiriu a Efisa, o banco de investimento do antigo BPN. Esta possibilidade depende, todavia, de um parecer positivo do Banco de Portugal que tem como dever pronunciar-se sobre os investidores das sociedades financeiras.<_o3a_p>

Esta quarta-feira ao início da noite, deu entrada no BdP, um pedido de parecer sobre a lista de novos accionistas da Efisa, onde se encontra Miguel Relvas, o advogado José Dinis Lucas, Francisco Cerbero, Paulo Ratilal (ligado ao moçambicano Moza Bank de que o BES era accionista) e ainda Miguel Castro Pereira e Teresa Amado.<_o3a_p>

Miguel Relvas já era consultor da Pivot tendo aparecido a apoiar a sociedade na compra da Efisa e o seu nome era dado há vários meses como accionista, o que foi sempre negado. Para além da sociedade britânica Aethel Partners, representada por Ricardo Santos Silva e Aba Schubert, também António Bernardo, consultor da Roland Berger, e Mário Palhares, presidente do Banco de Negócios Internacional (BNI) e antigo vice-governador do Banco Nacional de Angola, têm posição desde o início na Pivot.   <_o3a_p>

No final de Julho de 2015, no quadro de um concurso público a sociedade estatal Parparticipadas anunciou a venda da Efisa à Pivot, por 38 milhões de euros. Mas o negócio só ficou fechado em Outubro. Outro social-democrata que tem surgido como podendo estar também por detrás da operação Efisa é Manuel Dias Loureiro, o que foi negado peremptoriamente por fonte oficial da Pivot: "Não é, nem será accionista".<_o3a_p>

No início da década passada, na qualidade de accionista e de gestor da SLN/BPN, Dias Loureiro esteve por detrás do negócio ruinoso de Porto Rico que envolveu o seu amigo libanês Abdul Rahman El-Assir. Tido como traficante de armas, El-Assir é uma das figuras  omnipresente nas investigações ao "caso BPN", uma fraude que já lesou o Estado em mais de três mil milhões de euros. A acção de Dias Loureiro no BPN tornaria difícil ao BdP permitir que voltasse a ter uma posição directa em bancos.  <_o3a_p>

Francisco Nogueira Leite, do universo pessoal de Pedro Passos Coelho, tem liderado a Parparticipadas, responsável pela gestão das participações sociais do grupo BPN, a Parvalorem, que gere o crédito malparado do ex-BPN, e a Parups a gestora do património imobiliário do banco ligado a Oliveira Costa e a Dias Loureiro.  <_o3a_p>

Entre 2014 e 2015, o Efisa foi alvo de injecções de capital do Estado, no valor de 52,5 milhões de euros, e conseguiu manter a licença bancária activa, o seu principal trunfo na venda. Apesar de estar sem actividade, desde 2009, mantém uma carteira de crédito de 50 milhões, dos quais 30 milhões estão provisionados (de cobrança duvidosa). A dívida do grupo empresarial de Pais do Amaral, fundador da Patris (que tem adquirido sociedades do ex-BPN), ao Efisa representa 20% da carteira de crédito. <_o3a_p>

A nacionalização do BPN, em 2008, que foi reprivatizado em 2012 (passou para o BIC), já acarretou, até ao final de 2014, um prejuízo efectivo de 2691 milhões de euros para os cofres do Estado. O levantamento, feito pelo Tribunal de Contas, mostra que, só em 2014, entre receitas e perdas, o saldo foi negativo em 485 milhões.<_o3a_p>