Vasco Lourenço apela a democratas: solução implica abdicar de algumas ideias

O capitão de Abril não conhece alguém “menos fiável” do que “os dois aldrabões que estão à frente da coligação de direita”.

Vasco Lourenço afirma que os agentes políticos retiraram a “esperança” ao povo português
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Vasco Lourenço, presidente da Associação 25 de Abril Foto: Daniel Rocha

Num longo texto intitulado O Fantasma da Fonte Luminosa anda por aí…, o presidente da Associação 25 de Abril, Vasco Lourenço, lança um “apelo a todos os democratas” para que prescindam de algumas ideias e, em conjunto, encontrem “uma solução alternativa estável”.

“Prescindam de parte das vossas ideias, dos vossos interesses, dos vossos projectos! Sejam capazes de abdicar de algo, para irem ao encontro dos outros e, em conjunto, encontrarem uma solução alternativa estável às que já demostraram não servirem para o bem dos portugueses”, escreve.

Vasco Lourenço entende que “as acções desenvolvidas pelos partidos de esquerda com representação maioritária na Assembleia da República (PS, BE, PCP)” mostram ser possível “repetir os governos provisórios de 1974/1975, existentes ainda antes das eleições para a Assembleia Constituinte”.

E, em relação a quem podem os portugueses confiar, questiona: “haverá alguém menos fiável, em quem se possa confiar menos, do que os dois aldrabões que estão à frente da coligação de direita? Eu não conheço…”

Na nota enviada à comunicação social, defende ainda que não se deve recear “o poder de quem está na Presidência da República e dá sinais de querer continuar a sua acção partidária e não querer cumprir a Constituição da República”: “Não quero acreditar, apesar de todo o seu passado, que chegue a tanto! Mas, se o ousar fazer, a História se encarregará de o classificar devidamente”, diz, referindo-se à decisão de Cavaco Silva poder ou não dar posse a um governo de esquerda.

Sobre o resultado das eleições legislativas de 4 de Outubro que não deram a maioria absoluta à direita, Vasco Lourenço considera que foram “uma primeira reacção dos portugueses” que demonstraram, “num primeiro aviso, que estão fartos, que basta”, que aqueles que “levaram ao ‘estado a que isto chegou’ têm de sair de cena”. Os portugueses estão, argumenta, a dizer “aos responsáveis que têm de encontrar outras soluções, outros caminhos”.

Em Março do ano passado, no Congresso da Cidadania, Vasco Lourenço já tinha defendido que, “se não acontecer uma votação maioritária numa só força, devem procurar-se acordos interpartidários, envolvendo todas as forças políticas, sejam as mais antigas, sejam outras que estão a surgir, desde que empenhadas na ruptura com as políticas e as práticas desgraçadamente seguidas até aqui”.

Mas, para que isto aconteça, é preciso “esconjurar o fantasma da Fonte Luminosa [manifestação que opôs o PS ao Governo de Vasco Gonçalves, apoiado pelo PCP, em 1975] que, passados quarenta anos, continua a andar por aí”.

Para o capitão de Abril, não interessa tanto “escalpelizar o procedimento passado de cada uma destas forças”, mas “encarar a nova conjuntura, o novo posicionamento destas três forças partidárias, com honestidade e lisura, sem preconceitos ou ‘pé atrás’”.