Baixos salários forçam saída de 45 motoristas da Carris

Sindicato diz que a saída de trabalhadores está a provocar longas filas de espera nas paragens de autocarro. Empresa garante que está a preparar o lançamento de um processo de recrutamento.

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Baixos salários na Carris têm levado trabalhadores a sair da empresa João Henriques

No último ano, a Carris perdeu 45 motoristas que decidiram trocar a empresa de transportes de Lisboa por outra no Reino Unido, em busca de melhores salários. A falta de trabalhadores está a provocar longas filas de espera nas paragens de autocarro da empresa, principalmente à hora de ponta. Até à data ainda não foram contratados motoristas para os substituir, deixando os transportes no “limiar da circulação”, diz Sérgio Monte, secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes (Sitra).

A Carris confirma que em 2014 “saíram da empresa 32 motoristas”. “Já este ano, até final do mês de Agosto, registou-se a saída de 13”, afirma fonte oficial, acrescentando que as ofertas de emprego têm origem no Reino Unido. A empresa contava com 1353 motoristas no final do ano de 2013, de acordo com a informação disponibilizada no site oficial.

Por seu lado, Sérgio Monte adianta que os trabalhadores que se despediram têm, maioritariamente, idades compreendidas entre 25 e 30 anos. “Os motoristas com poucos anos de serviço não chegam a ganhar 900 euros por mês”, o que faz com que “procurem colocações e melhores salários noutros países”, explica. “Por serem jovens têm mais facilidade do que eu, que já estou na casa dos 50, 60, em arranjar emprego no estrangeiro”, continua. 

Silvino Correia, também dirigente do Sitra, disse ao PÚBLICO que a situação se arrasta desde 2007; contudo, foi a partir de 2010 que o problema se acentuou. “Há 18 anos, quando entrei para a Carris, a empresa era estável e permitia-nos organizar a nossa vida. Neste momento está acontecer o oposto”, lamentou.

Bondarenko, ex-trabalhador da Carris, contou ao PÚBLICO que o congelamento dos subsídios esteve na origem da sua saída da empresa. Não foi contratado por uma empresa inglesa, mas saiu em busca de melhor salário. Esteve na transportadora quase oitos anos, mas saiu em 2012, regressando à Ucrânia, o seu país de origem.
Questionada sobre os impactos da saída destes trabalhadores na circulação de autocarros, a Transportes de Lisboa afirmou que “devido à falta de motoristas” tornou-se necessário o “reajuste de carreiras devido, especialmente, a algum absentismo e às greves decretadas às horas extraordinárias”.

A Transportes de Lisboa referiu ainda que “as empresas públicas encontram-se, desde 2011, sob medidas de contenção de admissões”, o que faz com que até à data não tenham sido contratados motoristas. Todavia, informa que a Carris “está a preparar um documento para solicitar autorização de lançamento, a curto prazo, de um processo de recrutamento de novos motoristas”.

A Carris, bem como o Metropolitano de Lisboa, encontra-se em processo de subconcessão ao grupo espanhol de transportes urbanos Avanza.O Conselho da Autoridade da Concorrência deu luz verde ao processo no início do mês. Depois de assinado, o contrato tem ainda de ser remetido ao Tribunal de Contas. Texto editado por Ana Rute Silva


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