Comandante operacional nacional prepara época de fogos "sem vítimas"

A época crítica em incêndios florestais começa esta quarta-feira. O comandante operacional nacional dispõe de um dispositivo de combate a incêndios florestais avaliado em cerca de 80 milhões de euros e quer ter uma época de fogos sem vítimas.

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Paulo Pimenta/Arquivo

O comandante operacional nacional José Manuel Moura disse esta terça-feira que ter uma época de fogos sem vítimas é "o grande objectivo" do dispositivo de combate a incêndios florestais, a propósito da época crítica em incêndios florestais, conhecida como fase Charlie, que começa esta quarta-feira. Para isso, foi feita uma aposta na formação para atenuar o risco. "Podemos chegar com mais área ardida, podemos chegar com mais ignições, mas chegarmos com vítimas zero, sejam feridos, sejam vítimas mortais, sejam civis ou combatentes, é o grande objectivo", disse José Manuel Moura.

O comandante nacional da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) adiantou que o principal objectivo do dispositivo especial de combate a incêndios florestais para este ano é "a permanente segurança das forças". "O dispositivo vai estar na sua máxima força a partir de 1 de Julho. Vamos contar com cerca de 10000 operacionais 24 horas por dia e também com dispositivo complementar de meios terrestre e aéreos", acrescentou.

Durante a fase "Charlie" de combate a incêndios florestais, que decorre entre 1 de Julho e 30 de Setembro, vão estar operacionais 2234 equipas, 2050 veículos, 9721 operacionais, estando previsto 49 meios aéreos. Dos 49 meios aéreos, 36 são de ataque inicial, mas existem problemas com as aeronaves para o ataque ampliado, designadamente os Kamov da frota do Estado, em que apenas um dos cinco está operacional. "A partir de quarta-feira eu quero contar que vão estar disponíveis 45, são os que estão disponíveis", disse José Manuel Moura, sublinhando que "a curto prazo" haverá mais meios operacionais.

Sobre os quatro helicópteros pesados, o comandante acrescentou que um deles deverá entrar em funcionamento no próximo fim-de-semana e outro durante o mês de Julho, sendo integrados no dispositivo à medida que vão sendo recuperados. "Essa informação não depende da parte técnica. Ao comandante nacional o que é exigido é que tenha capacidade suficiente para poder, a cada momento, com os meios que têm resolver a situação da melhor maneira possível", afirmou.

O dispositivo de combate a incêndios florestais, avaliado este ano em cerca de 80 milhões de euros, é idêntico ao de 2014, com um reforço de 17 equipas nos corpos de bombeiros. José Manuel Moura explicou que o reforço destas 17 equipas de combate a incêndios florestais está relacionado com a capacidade instalada nos corpos de bombeiros. "Mesmo havendo mais disponibilidade tínhamos mais dificuldade em aumentar o número de equipas. Foram aquelas que encontramos no território nacional junto dos corpos de bombeiros", disse.

A fase "Charlie" de combate a incêndios florestais sucede à "Bravo", que termina hoje e mobilizou, desde 15 de maio, 6583 operacionais e 1541 viaturas. O último relatório provisório do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) indica que a área ardida e o número de fogos mais do que duplicaram este ano em relação a 2014.

Segundo o ICNF, registaram-se, entre 1 de Janeiro e 15 de Junho, 6113 ocorrências de fogo, mais 3578 do que no mesmo período de 2014. O relatório adianta que os 6113 incêndios resultaram em 14971 hectares de área ardida, mais 9446 do que no mesmo período de 2014, quando as chamas consumiram 5525 hectares.

José Manuel Moura recordou que o melhor ano desde que há registo foi o de 2014. "Comparar com 2014 corre-se o risco de estar a maximizar essa informação. Contudo já passamos por várias ondas de calor este ano e o número de ignições não tem aumentado em relação à média dos últimos anos. Pelo menos temos tido um controlo mais eficiente e eficaz relativamente ao número de ignições", sustentou.

O comandante da ANPC disse ainda que "o dispositivo previsto para a fase Bravo correspondeu muito bem", tendo sido excelente. "Nunca se fez tanto (em formação) num período entre um dispositivo e outro. Tudo isto vai concorrer para os meios que queremos alcançar este ano", disse, ressalvando que há a variável das condições meteorológicas, que são determinantes para ajudar a chegar a bons resultados.

Onze detidos pelo crime de incêndio florestal

Segundo dados da Polícia Judiciária (PJ), realizaram-se 11 detenções até 24 de Junho, menos 8 do que em igual período de 2014. A maioria das detenções ocorreu no centro do país.

Os dados enviados à agência Lusa adiantam que quatro detenções foram feitas pelo Departamento de Investigação Criminal de Aveiro, duas foram realizadas pela Direcção do Centro e outras duas pela Direcção do Norte. Em Leiria, Vila Real e na directoria do Sul registou-se uma detenção em cada um.

Já na semana passada, a GNR anunciou que, no âmbito de acções de patrulhamento e vigilância das zonas florestais e de primeira intervenção nos incêndios florestais, foram detidas este ano 36 pessoas, mais 22 do que em igual período de 2014, e identificados 532, mais 292. A GNR registou ainda este ano 535 autos de contra-ordenação por infracções ao Sistema Nacional de Defesa da Floresta contra Incêndios (SNDFCI).

Em declarações à Lusa, a PJ refere que o estudo do perfil dos incendiários florestais detidos em 2014 (um total de 46) concluiu que 15 incendiários (cerca de 33%) já tinham sido investigados pelo mesmo tipo de crime incêndio florestal.