Greve parou 57% dos comboios programados pela CP

Protesto convocado por oito sindicatos, contra a privatização e fusão de empresas do sector.

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Tribunal arbitral tinha decretado serviços mínimos Fernando Veludo/NFactos

A greve na CP, Refer e CP Carga, realizada esta quinta-feira para protestar contra os planos do Governo de privatizar e fundir empresas, tinha impedido, até às 18h, a circulação de 57% dos comboios previstos pela CP.

A empresa conseguiu assegurar 447 ligações, um número significativamente acima das 279 que tinham sido decretadas pelo tribunal arbitral como serviços mínimos. Optando por fazer ligações em comboios inter-cidade, que podem transportar mais passageiros e fazem mais paragens do que os alfa-pendulares, a CP fez 20 das 37 ligações previstas. Nos urbanos de Lisboa, circularam 204 dos 496 comboios programados, ao passo que no Porto foram feitas 96 das 207 ligações. Circularam ainda 92 dos 221 regionais e 22 dos 20 comboios interregionais.

A empresa disse não conseguir precisar quantos passageiros foram transportados ao longo do dia.

A greve foi convocada por oito sindicatos do sector, como forma de protesto contra a “liquidação/privatização da EMEF e da CP Carga, a destruição da Refer na fusão com as Estradas de Portugal, a entrega a privados dos serviços lucrativos da CP e contra o roubo das concessões de transporte aos ferroviários do activo e reformados”.

Ao contrário do que aconteceu na última paralisação, que ocorreu durante o fim de semana de Páscoa, o tribunal arbitral do Conselho Económico e Social (CES) decidiu decretar serviços mínimos, obrigando à realização de 30% dos comboios regionais e de longo curso, e de cerca de 25% do serviço urbano no Porto e em Lisboa. Sem obrigatoriedade de serviços mínimos, o protesto na Páscoa tinha paralisado 82% dos comboios. 

Já no Metro de Lisboa foi desconvocada a paralisação agendada para sexta-feira. “Verificámos que não existem condições para efectuar o transporte em segurança, motivo pelo qual [os trabalhadores] suspendem a greve”, disse a Fectrans. O tribunal arbitral do CES tinha decretado terça-feira serviços mínimos para a greve. com Raquel Almeida Correia e João Pedro Pereira