INE e Turismo de Portugal cooperam para conhecer melhor os turistas

Nova estrutura vai acompanhar em permanência a informação estatística e fazer inquéritos nacionais. Governo quer reactivar a conta satélite do turismo e criar portal que concentra dados sobre o sector.

Turismo de Portugal quer ter dados mais concretos sobre quem visita Portugal e sobre os portugueses que se deslocam aos estrageiro
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Turismo de Portugal quer ter dados mais concretos sobre quem visita Portugal e sobre os portugueses que se deslocam aos estrageiro Nuno Ferreira Santos

O Turismo de Portugal e o Instituto Nacional de Estatística assinaram, nesta quarta-feira, um acordo para criar um grupo de acompanhamento permanente sobre o sector, para produzir informação estatística e colmatar a escassez de dados sobre os turistas que visitam Portugal e os portugueses que se deslocam ao estrangeiro.

A informação estatística sobre o turismo resume-se, hoje, ao número de dormidas, hóspedes ou receitas, mas pouco se sabe sobre as motivações e o perfil de quem visita o país. João Cotrim de Figueiredo, presidente do Turismo de Portugal, diz que este é um primeiro passo para “mais tarde reactivar uma peça importante que é a conta satélite do turismo, que permite medir com rigor os impactos do turismo”.  

Ao abrigo do protocolo, o grupo de acompanhamento vai ser criado “dentro de semana” e o primeiro trabalho que terá em mãos é inquérito nacional sobre o turismo, nomeadamente, as motivações e os gastos feitos quer pelos visitantes estrangeiros, quer pelos portugueses no estrangeiro.

“Se pensarmos nas decisões diárias que os agentes do turismo, das empresas às entidades pública, têm de tomar, dispor apenas do número de receitas ou dormidas não é suficiente para fazer a afinação da oferta turística”, diz João Cotrim de Figueiredo. Com os novos dados, será possível conhecer que tipo de actividades os visitantes fazem, o que consomem, quando e em que tipo de estabelecimentos. “Isto permite gerir melhor os produtos turísticos à disposição e as políticas públicas”, acrescenta o presidente do Turismo de Portugal, acrescentando que sem estes indicadores “é difícil gerir rotas aéreas ou a densidade da oferta turística e hoteleira, por exemplo”.

O grupo de acompanhamento também passa a ter em conta os dados obtidos nas plataformas online, ferramentas cada vez mais usadas na reserva de viagens. “Sem o acesso a informação de óptima qualidade não é possível sustentar um crescimento forte da actividade turística”, defende João Cotrim de Figueiredo.

O protocolo com o INE enquadra-se ainda no desenho de um “sistema de gestão de conhecimento” que o Turismo de Portugal quer criar e que, na prática, será um portal de informação disponível para empresas ou entidades onde se reúne toda a informação sobre o sector. “Não é apenas estatística. Inclui informação sobre os mercados emissores, a estratégia dos concorrentes, os licenciamentos em curso, ou seja, uma série de matérias não só do ponto de vista histórico, mas de previsão. Será uma ajuda a quem está a ponderar investir na actividade turística”, adiantou. Os primeiros resultados deverão ser conhecidos este ano.