Oi fica agora com mais margem para renegociar a dívida

Assembleia de obrigacionistas da operadora brasileira acontece já na segunda-feira.

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Nacho Doce/Reuters

Com a decisão tomada nesta quinta-feira na assembleia geral da Portugal Telecom SGPS, a direcção da Oi fica mais confortável para enfrentar a assembleia de obrigacionistas que está marcada para a próxima segunda-feira e que visa flexibilizar a gestão da imensa dívida que acumulou – nomeadamente, através da alteração das condições dos contratos com alguns dos credores.

Já quando a PT e a Oi assinaram o acordo de fusão, em Outubro de 2013, a maior vulnerabilidade apontada à empresa brasileira era a dívida, que nesse ano atingiu 30,42 mil milhões de reais (cerca de 9900 milhões de euros). Havia também as questões da baixa rentabilidade, da infra-estrutura obsoleta e das falhas reiteradas na prestação do serviço, que motivaram mesmo multas milionárias aplicadas pelo regulador brasileiro, a Anatel. Aí entraria a PT, com o aporte de tecnologia e inovação, para transformar a Oi numa empresa da primeira liga.

Passou cerca de um ano e o casamento com a PT foi o que se viu. Embora a tecnologia e o know-how português tenham efectivamente passado para a Oi, tal como antes, os "pés de barro" deste gigante continuam a ser a dívida, que ronda os 15 mil milhões de euros. Foi a falta de capacidade financeira que impediu a Oi de participar no leilão de licenças 4G no Brasil, o que voltou a deixar a maior operadora de rede fixa do mercado brasileiro uns furos abaixo das suas rivais directas: a Vivo (da Telefónica), a Claro (de Carlos Slim) e a TIM (da Telecom Italia).

"A dívida da Oi continua e está cada vez mais cara. Com taxa de juro e dólar subindo, quem vai dar crédito para uma companhia altamente endividada?", questionava-se há alguns dias o estrategista brasileiro da XP Investimentos, Celson Plácido, em declarações à Reuters.

A diferença face a Outubro de 2013 é que isso já não é essencialmente um problema da Oi e dos grandes accionistas brasileiros. É um problema dos accionistas da PT SGPS que, ao aprovarem a transferência da PT Portugal para uma sociedade brasileira, passaram a ter nesta o seu único activo. Agora, com o valor da empresa a cair de dia para dia, arriscam-se a ficar com uma mão cheia de nada

A promessa feita aos accionistas da PT SGPS é que a venda da PT Portugal permite à Oi participar na consolidação no mercado brasileiro, valorizando-se. E embora os responsáveis da Oi assegurem que querem ser protagonistas neste movimento (uma das hipóteses adiantadas foi a compra da TIM, para dividir os activos com a Vivo e a Claro), crescem as suspeitas de que a Oi poderá ser o elo mais fraco na consolidação, acabando absorvida por uma das suas rivais.

No competitivo mercado brasileiro de telecomunicações, a posição da Oi é das mais difíceis. Detém uma posição forte no segmento dos telefones fixos, que continua a ser importante no contexto do país, mas não deixa de ser a área onde as perspectivas de crescimento são as mais reduzidas.

Do lado das áreas onde o potencial de desenvolvimento é mais evidente, a posição da operadora é menos confortável, não conseguindo nos mercados mais apetecíveis uma posição melhor do que o terceiro lugar. Na banda larga fixa, que é liderada pela América Mobil (AM), do mexicano Carlos Slim (31,8%), a Oi detém 26,6% do mercado e a Vivo (da Telefónica), cerca de 30,5%. No segmento móvel, é a TIM que ganha, com 29,2% de quota, seguida pela AM (25,4%,), pela Vivo (25,1%) e pela Oi (19,9%). Na área da televisão, a Oi não vai além dos 5%, num segmento claramente liderado por Slim, com 53,3% do mercado.

No terceiro trimestre do ano passado, a companhia brasileira revelou uma quebra de 20% no EBITDA face ao mesmo período de 2013. O resultado antes de impostos, juros amortizações e depreciações ficou-se pelos 1573 milhões de reais, cerca de 70 milhões também abaixo do obtido nos três meses precedentes.

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