Euro caiu para mínimo de quase nove anos

Declarações de Mario Draghi na semana passada acentuaram a descida da moeda única.

A noção que a Europa e os seus poderes revelam ter de cultura limita-se aos números do consumo e dos consumidores em massa
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A moeda única desceu para menos de 1,20 dólares AFP

Sob a sombra de uma possível deflação e com o dólar a valorizar em relação a quase todas as divisas, o euro continuou em queda e atingiu nesta segunda-feira o valor mais baixo face ao dólar em praticamente nove anos.

A moeda única desceu abaixo da barreira dos 1,20 dólares no arranque da sessão de negociações, em Tóquio, e atingiu os 1,18605 dólares, o patamar mais baixo desde Março de 2006, antes de recuperar ligeiramente para 1,1926 dólares.

A descida do valor do euro acentuou-se na semana passada, na sequência de declarações do presidente do Banco Central Europeu (BCE). Numa entrevista a um jornal alemão, Mario Draghi reconheceu que o risco de o banco central não conseguir cumprir o seu mandato de estabilidade de preços “é maior do que há seis meses". O BCE tem o objectivo de manter a inflação ligeiramente abaixo dos 2%, mas os preços na zona euro têm vindo a ter aumentos muito reduzidos. Naquela entrevista, Draghi indicou que estão a ser preparadas novas medidas para evitar a queda dos preços. 

Economistas ouvidos pela agência Reuters afirmaram estarem à espera de que o os dados de inflação da zona euro que serão publicados na quarta-feira apontem para uma queda de 0,1%, a primeira desde 2009.

Os receios sobre o futuro da moeda única também se adensaram depois da revista alemã Der Spiegel ter noticiado que a Alemanha se estava a preparar para que a Grécia saísse do euro no caso de o partido de esquerda Syriza ganhar as eleições legislativas e avançar com uma reestruturação da dívida pública. No entanto, o Governo alemão desmentiu oficialmente que esse seja um cenário em cima da mesa e disse estar confiante  que a Grécia continuará a cumprir as obrigações com os credores internacionais mesmo com uma vitória do Syriza.