Sob acusações de roubo de equipamento, camiões russos deixaram Leste da Ucrânia

Angela Merkel está em Kiev para uma inequívoca demonstração de apoio ao Governo de Porosheko.

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Reuters

As  movimentações na fronteira Leste da Ucrânia coincidem com a chegada a Kiev da chanceler alemã, na véspera de o país celebrar o seu Dia da Independência. Talvez por isso, o coronel Andri Lisenko não se tenha alongado nas acusações, nem tenha sequer tentado apresentar provas de que nos camiões russos que regressavam à Rússia seguia equipamento produzido na fábrica Topaz, que constrói os radares Kolchuga e de outra fábrica em Luganks que produz munições, adianta o New York Times.

Na madrugada de sábado, o Conselho de Segurança das Nações Unidas reuniu-se de emergência em Nova Iorque para discutir a situação na Ucrânia - agudizada com a decisão russa de fazer avançar os camiões com ajuda humanitária concentrados junto à fronteira - mas como tem sido habitual não chegou a acordo. Após a reunião à porta fechada, o embaixador britânico Lyall Grant, presidente em exercício, declarou uma "grande preocupação sobre o que muitos descreveram como uma acção ilegal e unilateral da Rússia".

Angela Merkel é a mais alta líder ocidental a visitar a Ucrânia desde que estalaram os combates no Leste da Ucrânia, opondo os separatistas pró-russos que se apoderaram de várias cidades ao Exército, envolvido há semanas numa contra-ofensiva para reconquistar a zona.

Horas antes da chegada da chanceler, Donetsk, a maior cidade do Leste da Ucrânia que os rebeldes escolheram para capital da sua autoproclamada república, voltou a ser bombardeada e há notícia de pelo menos três civis mortos.

Com os combates a atingir o auge, a coluna de camiões enviadas pela Rússia fez accionar todos os alarmes. Os 220 veículos entraram na Ucrânia com a justificação de se tratar de um comboio de ajuda humanitária com destino a Lugansk, uma cidade que se encontra sem água, electricidade e comunicações há três semanas. Contudo, os camiões entraram sem o previsto acompanhamento do Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e sem autorização ucraniana.

Para o Governo de Kiev, tratou-se de uma "invasão directa"; para Moscovo, foi a resposta a "intermináveis adiamentos", que impediam a chegada de alimentos e medicamentos a centenas de milhares de civis daquela região no Leste do país vizinho.

Antes da reunião da ONU, já os Estados Unidos, a União Europeia e a NATO tinham declarado o seu apoio à Ucrânia. O secretário-geral da Aliança Atlântica, Anders Fogh Rasmussen, foi o primeiro a reagir: "É uma violação flagrante dos compromissos internacionais da Rússia, incluindo os que foram assumidos recentemente em Berlim e em Genebra, e mais uma violação da soberania da Ucrânia pela Rússia", disse o líder da NATO.

Os EUA e a Alemanha consideram – numa conversa telefónica, revelada pela Casa Branca, entre o Presidente norte-americano Barack Obama e Angela Merkel, ocorrida ainda na sexta-feira – que a Rússia está envolvida numa "perigosa escalada" e confessam a sua "preocupação" face à forte presença militar russa junto à fronteira com a Ucrânia.

Os dois países insistem na "importância de um cessar-fogo bilateral, acompanhado do fecho da fronteira e um controlo efectivo da mesma". O envio dos camiões é uma "provocação suplementar e uma violação da soberania da Ucrânia e integridade do seu território", acordaram os dois chefes de Estado.