Portugal tem “trabalho” de consolidação orçamental a fazer, diz Lagarde

O FMI está a acompanhar, mas cabe ao Governo decidir quais as medidas “mais apropriadas” para cumprir as metas, defende a directora-geral do FMI.

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Lagarde defendeu a criação de uma união bancária na zona euro Gary Cameron/Reuters

O FMI está a acompanhar a implementação do programa acordado com a troika, mas cabe ao executivo de Pedro Passos Coelho avaliar, no contexto português, quais “as medidas que são mais apropriadas” para cumprir as metas orçamentais.

Numa conferência de imprensa em Washington, Lagarde sublinhou a necessidade de os governos restabelecerem a viabilidade orçamental, de forma a reduzirem as incertezas sobre a economia mundial, conjugando estas metas com objectivos de médio prazo que promovam o crescimento económico e o emprego.

“Os decisores devem concentrar-se sobre a economia real”, porque “o crescimento mundial é crucial para todos os que se preocupam com o emprego”. Mas “em cada país as condições são diferentes” para pôr em marcha as reformas e as preocupações sobre o crescimento e o emprego devem ser compatíveis com os esforços orçamentais e a reforma do sistema financeiro.

Questionada sobre o caso português, Lagarde mostrou-se confiante de que a economia voltará a crescer, mas não apontou metas. Governo e troika apontam uma contracção da economia portuguesa de 1% para este ano (o Banco de Portugal agravou esta semana as previsões e projecta uma queda de 1,9%), enquanto para o próximo ano a previsão é já de uma subida do PIB de 0,8%.

O aviso lançado por Lagarde vai, aliás, no sentido das recomendações que o Fundo deixou numa nota publicada nesta quinta-feira sobre a avaliação do programa de resgate financeiro. O Governo deve “avançar para mais consolidação orçamental” num quadro que é ainda de incerteza e, ao mesmo tempo, “orientar os seus esforços para a competitividade do comércio, para aumentar o crescimento a longo prazo”, lê-se no documento.

Na conferência em Washington, transmitida em directo no site do FMI, Lagarde insistiu sobre a importância do crescimento da economia global, apelou a um acordo nos Estados Unidos em torno da redução da despesa pública, defendeu ser preciso “continuar a fazer esforços para prosseguir com a união bancária” na zona euro e, sobre o caso grego, disse ser preciso esperar para ver se os compromissos são respeitados.