Crise do euro

Portugal só recebe ajuda do BCE se reconquistar primeiro o acesso aos mercados

O anúncio da compra de dívida reduziu as tensões na zona euro, diz Draghi
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O anúncio da compra de dívida reduziu as tensões na zona euro, diz Draghi Foot: Johannes Eisele/AFP

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, avisou esta quinta-feira que o BCE só voltará a realizar compras de obrigações portuguesas depois de o país ter reconquistado o acesso total ao mercado, algo que ainda não aconteceu.

Na conferência de imprensa realizada a seguir à reunião do conselho de governadores, o presidente do BCE esclareceu que Portugal apenas poderá vir a beneficiar do novo e mais ambicioso programa de compras de obrigações anunciado pela autoridade monetária após ter conseguido obter, no mercado primário de Obrigações de Tesouro, o que caracteriza como “acesso total”. “O programa de compra de obrigações não é um substituto para uma falta de acesso ao mercado primário”.

Na quarta-feira, Portugal conseguiu realizar uma operação de troca de obrigações, que o ministro das Finanças classificou como sendo um “regresso ao mercado” por parte de Portugal. Hoje, Draghi reconheceu a importância da operação, mas disse que o acesso total ainda não está garantido.

O presidente do BCE aproveitou ainda para elogiar as medidas tomadas pelo Governo português, dizendo que “são um exemplo de um progresso muito, muito significativo feito pelos Governos”. O presidente do BCE defendeu ainda que a situação política em Portugal “é forte”.

A seguir à reunião do conselho de governadores – onde o BCE, sem surpresas, decidiu manter as taxas de juro inalteradas – Mario Draghi afirmou que, na sequência dos anúncios feitos pelo banco central nos últimos meses, se conseguiu reduzir a tensão nos mercados. “O programa de compra de obrigações ajudou a aliviar as tensões durante as últimas semanas, reduzindo assim as preocupações acerca da materialização de cenários destrutivos”, afirmou.

O presidente do BCE mostrou no entanto manter-se preocupado com a evolução da economia da zona euro, falando de expectativas baixas para o crescimento e para o emprego e não colocando de parte a existência de riscos.